Cerca de mil pescadores e ex-pescadores movem cinco ações de indenização contra a Itaipu e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) por prejuízos à pesca decorrentes de obras no Rio Paraná. Quatro ações são contra a Itaipu. Segundo o advogado dos pescadores, Aparecido Martins, a formação do lago de Itaipu inviabilizou a pesca, mas até hoje a empresa não pagou ‘‘um centavo de indenização aos pescadores’’. Ele cobra o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da empresa que comprovaria os danos ambientais e a obrigaria a repará-los. ‘‘Nosso maior entrave é a falta de provas técnicas dos prejuízos’’, diz.
Martins contesta as pesquisas existentes – ‘‘todas financiadas pela própria Itaipu’’ – e garante que a redução do estoque pesqueiro é muito maior do que o apontado. ‘‘Infelizmente, os pescadores não têm dinheiro para encomendar um estudo independente’’.
Segundo o coordenador científico do Núcleo de Pesquisas em Liminologia, Itciologia e Aquicultura (Nupélia) da Universidade Estadual de Maringá, Ângelo Antônio Agostinho, pelos dados colhidos desde 1987, o volume de pesca no lago caiu de 1,2 a 1,5 tonelada.
Porém, não há pesquisas sobre a pesca no trecho livre, como também não existem estudos anteriores à formação do lago para fazer comparações. Agostinho garante que, embora financiadas pela usina, as pesquisas do Núpelia são fidedignas. ‘‘Temos um nome a zelar perante a comunidade científica’’, argumenta. Segundo Agostinho, era previsível que as chamadas espécies nobres desapareceriam na região do lago de Itaipu porque esses peixes não vivem em águas paradas.
Antes da existência da usina, as cinco espécies mais encontradas pelos pescadores profissionais eram cascudo-preto, dourado, pacu, jau, pintado. Atualmente, a lista traz o armado, a curvina, mapará, curimba e barbado (ver quadro nesta página). Entretanto, seriam preservadas no trecho livre entre Guaíra e Primavera se se mantivesse o regime de cheias.
‘‘A Itaipu tem sua parcela de culpa nesse desastre ambiental, mas não é a única vilã. Todas as usinas são responsáveis’’, diz o coordenador do Nupélia. (V.M.)

mockup