Para a psicóloga Cíntia Barbizan, a felicidade está mais relacionada ao comportamento humano, condições mínimas de qualidade de vida, estipulação de metas e seu cumprimento, que à simples aquisição de bens. Isso porque, a forma de agir é responsável pela liberação de neurotransmissores que ativam algumas partes do cérebro dando sensação de prazer. "Comprar algo pode ser uma conquista e trazer satisfação, mas será momentânea. Felicidade é um sentimento mais amplo e inclui outras esferas da vida", sintetiza.
Outro fator para não acreditar que dinheiro possa ser a solução de todos os problemas, de acordo com a psicóloga, é a perigosa relação de atribuir um preço a tudo. "Acreditar que as pessoas irão gostar de mim porque tenho um carro caro ou moro numa casa bacana é uma ilusão. Certamente, no mundo essencialmente capitalista que vivemos, quem é abastado acaba sendo respeitado. Mas a aceitação vai além, é preciso haver um esforço em ser agradável e ter um relacionamento sadio com as pessoas também."
Ainda segundo a profissional, o resultado da pesquisa que atribui valor ao sentimento reflete muito o perfil da sociedade consumista que almeja o "ter" em detrimento do "ser". "O dinheiro sempre foi valorizado, mas as pessoas precisam rever o real sentido da vida. Exemplo disso é o tempo e o amor aos filhos que estão sendo substituídos com ‘coisas’. Esta criança irá crescer acreditando que para ser amado é preciso ter essas ‘coisas’. Precisamos analisar se tudo é necessário ou faz parte de algo de um controle maior?", indaga Cíntia. (M.T.)

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