PERFIL - Moda que vence fronteiras
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de junho de 2013
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
No início da década passada, sair da faculdade ou do trabalho e ir direto para a academia implicava em carregar uma bolsa para trocar de roupa antes de iniciar os exercícios. O "drama" da vida de tantas mulheres fazia parte, também, da rotina da então estudante de desenho industrial Tatiana Kryzanosky, que sentia necessidade de peças adaptáveis aos dois ambientes. A observação desta realidade virou o projeto de uma marca com "conceito de dia a dia" e linguagem de moda para ser apresentada como trabalho de conclusão do curso de graduação. Ainda sem saber, naquele momento Tatiana estava criando a empresa que levou o nome de Londrina para o universo fashion brasileiro: a Mulher Elástica.
"Minha inspiração eram as mulheres heroínas, que trabalhavam, estudavam e ainda faziam academia", recorda. De posse da boa ideia, ela fez pesquisas, analisou a (falta de) concorrência, buscou consultoria no Sebrae e, com apoio da mãe, que na época tinha uma facção que produzia sob medida, tornou-se empreendedora. A primeira loja foi aberta com R$ 8 mil, a quantia que o pai dispunha para investir no negócio. Doze anos depois, a Mulher Elástica está presente em Londrina e São Paulo com quatro lojas físicas, uma loja virtual e comercialização em multimarcas de todo Brasil.
A história da empresa, que conta com administração familiar mãe e irmãos são sócios do negócio , confunde-se com a história da estilista Tatiana, que responde pela direção criativa da marca. Em 2006, quando se casou com o arquiteto Gustavo Menegazzo, mudou se para São Paulo e abriu também a loja da capital paulista. É lá, também, que ela desenvolve o conceito de cada coleção, com ajuda do estilista Alisson Rodrigues.
A nova coleção da Mulher Elástica, cujo catálogo ela produzia em Londrina no dia desta entrevista, relaciona-se, de certa maneira, com os desafios e dificuldades que a vida impõe a cada um. A criação sela o retorno da estilista ao trabalho após uma pausa de seis meses, quando ela se dedicou integralmente a cuidar do filho na UTI de um hospital. A criança nasceu com graves problemas cardíacos e não resistiu. Tatiana, que é mãe de Ava, de 5 anos, encerrou este triste ciclo com a certeza de ter feito o possível pelo filho. A experiência, segundo ela, trouxe muito amadurecimento. "A gente também aprende pela dor."
Glamour x trabalho
A empresária enfrenta uma rotina de "chão de fábrica" desconhecida da maioria das pessoas que associam o mundo da moda apenas ao glamour. Orgulhosa por manter uma produção 100% brasileira, a despeito da concorrência chinesa, ela luta diariamente para driblar a falta de incentivo à indústria nacional. "Quero crescer e gerar empregos no Brasil", diz ela, que mantém toda a linha de produção em Londrina e orgulha-se, também, de mostrar que há moda de qualidade no interior.
O glamour, segundo ela, está nas viagens realizadas para pesquisar conceitos que nortearão cada coleção. "Gosto muito de ir para Nova Iorque", conta. Os diferentes estilos de vida das pessoas, a arte, a arquitetura, a moda de rua e o comportamento são todos passíveis de inspirar o trabalho de Tatiana. "A pesquisa é mais sociológica que de moda", considera ela, que se prepara para passar, em breve, uma temporada na Itália.


