PERFIL - Jovem médica na pesquisa
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sábado, 29 de junho de 2013
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A fala meiga e o jeito cativante da jovem médica Thaís Faggion Vinholo não deixam transparecer a experiência e responsabilidade que já possui. Aos 24 anos, a londrinense faz parte de um importante grupo de pesquisas da Universidade de Duke, na cidade de Durham, Carolina do Norte (USA), no laboratório do conhecido neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, indicado ao Prêmio Nobel de Medicina em 2011. É dele o projeto que pretende dar movimentos a um tetraplégico no chute no jogo inicial da Copa do Mundo no Brasil, no ano que vem.
Radicada nos Estados Unidos desde 2005, onde estudou Medicina na Queens University of Charlotte, também na Carolina do Norte, Thaís começa a guardar histórias de vida. Sempre aplicada aos estudos, uma "nerd", como se autodescreve, desde criança tinha fascínio pelas disciplinas ligadas à ciência e biologia. "Meu pai era médico e minha mãe é dentista, portanto, os assuntos ligados à medicina eram corriqueiros em casa. Me lembro que adorava acompanhá-lo trabalhando nos plantões; ficava admirando o local, as tabelas na parede", conta.
Mas, na infância tranquila nem imaginava o que o futuro lhe reservava. "Sabia que queria atuar nessa área, atendendo as pessoas, mas não com pesquisa." Há quase dois anos Thaís se dedica a um dos projetos do laboratório que tenta minimizar os efeitos da doença do Mal de Parkinson. "Os tremores são apenas alguns dos sintomas. Para tanto, estamos estudando uma forma de estimulação no cérebro muito menos invasiva e mais eficiente do que é realizado atualmente. É um trabalho inovador."
Se hoje, porém, está cercada de "feras", tudo começou quando a mãe, no Brasil, ficou sabendo que Nicolelis estava bem próximo à filha. "Mandei um e-mail dizendo que tinha interesse em fazer um estágio. Prontamente ele me respondeu e marcou uma entrevista. Nem acreditei que aquele homem tão conhecido e respeitado iria me atender." Apresentando boas notas e vontade, foi aprovada e, assim, deu início ao estágio. "Passei as férias de verão trabalhando e foi muito bom", diz.
Ainda na faculdade, a jovem lembra que foram anos de descoberta e superação. "Tinha um estilo de vida tranquilo no Brasil, sem grandes preocupações. Desde que cheguei nos Estados Unidos tive de conquistar minha independência, principalmente financeira. Apesar da bolsa de estudos, trabalhava cuidando de crianças para pagar as contas", pontua, comentando que a adaptação ao país foi serena, já que havia passado um ano como intercambista do ensino médio morando em casas de famílias norte-americanas.
O fato de ser estrangeira a aproximava de outros na mesma situação, aumentando sua rede de amigos. "Gosto desse contato com outras culturas. Fiz amizades com pessoas de todo o mundo lá no campus onde morava. E o convívio me ajuda até hoje, pois no laboratório há pessoas dos mais diversos países." Isso foi um passo para se engajar em várias atividades que a vida proporcionava. "Descobri um lado filantrópico em mim que não sabia; uma realidade distante da minha. Entrei para uma irmandade e de vários movimentos."
Neste meio tempo, Thaís viajou para a Guatemala e China em projetos de ONGs. "Fui plantar árvores e construir casas", conta. Mas as experiências em outros países a fizeram refletir que não precisava sair de sua cidade para ajudar. "Me empenhei em um projeto que ajudava pessoas sem moradia, uma espécie de albergue, em Charlotte mesmo. Em outro projeto, cuidava de crianças após a escola, cujos pais estavam trabalhando", resume a jovem.
Agora, em Durham, a londrinense começa a pensar nos próximos passos da carreira. "Nos Estados Unidos ainda preciso passar mais quatro anos na escola médica para atuar em alguma área. Penso em pediatria, mas não quero largar a pesquisa. Se tudo der certo, pretendo mesclar a clínica com a pesquisa. Quem sabe neuropediatria", adianta, com um largo sorriso, característica marcante da jovem.


