PEDRA MORTAL Brasil tem 2,3 milhões de usuários
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sábado, 28 de julho de 2012
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Apesar do uso do crack estar disseminado pelas ruas das cidades, ainda não há informações sistematizadas sobre o universo composto pelos usuários brasileiros. Informações colhidas pelo Senado Federal revelam que o número de pessoas que usam ou podem ter usado crack no País, em 2010, chegava a 2,3 milhões.
Uma pesquisa realizada pelo Observatório do Crack, mantido pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), revelou que, no ano passado, 89,4% dos 5.565 municípios enfrentavam problemas com circulação de drogas em seu território, mas apenas 10,1% conseguiam atender os dependentes químicos de alguma forma. Outra constatação é que 497 municípios tinham cadastro dos usuários, contra 4.907 que não mantinham cadastro e 225 que não responderam à pergunta. Entre os usuários cadastrados, apenas 11,2% tiveram acesso à internação e, destes, 2,5% foram considerados ''curados'' pelo tratamento e 1,8% atingiram a fase de reinserção social.
O município de Londrina também não tem dados oficiais sobre o número de usuários de crack. A única estimativa que tem norteado os trabalhos da rede pública de atenção é baseada em levantamento feito entre os meses de julho e dezembro de 2008 pelo psicólogo Sérgio Elon, que na época integrava o quadro de profissionais da Coordenadoria de Apoio Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps/AD). A pesquisa, que embasou a tese de mestrado de Elon, mostrou que na época, 44% dos dependentes químicos atendidos eram usuários da droga e 46% eram usuários de álcool.
População de rua
Para a diretora de Serviços Complementares de Saúde da secretaria municipal de Saúde, Angela Lima, esta proporção não deve ter alterado muito. Mas o aumento de usuários é visível e tem levado o município a canalizar mais recursos para a área. ''Nos últimos anos o município aumentou em 100% o número de leitos para acolhimento de dependentes químicos em comunidades terapêuticas e de metas (atendimentos) ambulatoriais. A equipe do Caps/AD também conta com o dobro de profissionais atualmente'', ressalta a diretora.
Segundo Angela, Londrina tem hoje 40 leitos para acolhimento e 1.134 metas/mês, incluindo atendimento ambulatorial, atendimento pelo grupo de ajuda mútua e abordagem em campo por grupo de profissionais que trabalha com redução de danos (neste caso, são abordadas também as pessoas que ainda não estão em tratamento). Em março deste ano o município implantou o projeto Consultório de Rua, que faz, em média, 100 atendimentos por mês. ''A população de rua é muito resistente ao atendimento. Muitos já foram acessados por políticas públicas mas não houve sucesso'', constata Angela.
O presidente no Núcleo Londrinense de Redução de Danos, que integra a Rede Paranaense de Redução de Danos, Edson Facundo, define o crack como o grande vilão das drogas hoje. Contribuem para isso, segundo ele, o baixo preço, a falta de investimentos em prevenção e de políticas que deem respostas aos usuários e permitam que eles sejam ouvidos em suas demandas, direitos e deveres.
Ele revela que o Núcleo recebe do município uma cota mensal de 170 abordagens a usuários de álcool e outras drogas por mês, mas na prática é feito quase o dobro disso. ''E ainda não conseguimos atender a Zona Norte, por falta de estrutura. Somos apenas em três pessoas para o trabalho a campo'', revela Facundo.
Programa
O Estado do Paraná e a prefeitura de Curitiba assinaram, na sexta-feira, o termo de adesão ao programa do governo federal Crack, é Possível Vencer. De acordo com a assessoria do Ministério da Saúde, serão investidos no estado R$ 102,2 milhões até 2014. Com a adesão, o Paraná poderá, criar cerca de 820 leitos para atendimento aos usuários de drogas, especialmente o crack.


