Pauta engloba de rios poluídos à Estrada do Colono
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de fevereiro de 2001
De Curitiba 
Apesar dos diferentes pontos de vista, representantes dos trabalhadores, empresários, universidades, secretários municipais e do governo estadual são unânimes em apontar boas expectativas com o papel que o órgão deverá exercer daqui para a frente. O conselho deve funcionar como um fórum para as reivindicações da sociedade, bem como dos anseios do governo, do setor produtivo e das ONGs, garante o secretário do Meio Ambiente e presidente do Cema, José Antonio Andreguetto.
Os ambientalistas também estão otimistas e esperam que o organismo funcione não apenas como um instrumento para avaliar assuntos pontuais, mas que aponte uma mudança de comportamento do governo para a discussão de problemas ambientais. Queremos debater temas como a Estrada do Colono (que corta o Parque Nacional do Iguaçu e está aberta ilegalmente há três anos), a proteção de áreas naturais, o uso de agrotóxicos, deliberar sobre a retirada ilegal de palmito, a perda da biodiversidade, cobra Clóvis Borges, da ONG SPVS.
Ele lembra, no entanto, que, mesmo com maior participação de setores da sociedade, as entidades ambientalistas continuam minoria no conselho e só conseguirão levar esses assuntos à pauta se os problemas ambientais forem realmente importantes para os demais participantes.
Já o representante da Federação das Indústrias, Luiz Guilherme Pauli, adverte para o risco de se cobrar do conselho funções que seriam de outros órgãos. O conselho serve para encaminhar as necessidades da sociedade, mas não pode se sobrepor às atribuições de outros órgãos. Sua atribuição é encaminhar soluções, não resolver. Para ele, a prioridade dos trabalhos deve ser a adequação da legislação federal às características regionais.
Nem atear fogo, nem apagar o incêndio. Na avaliação do representante da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), professor Carlos Mello Garcias, a função das universidades é permitir o acesso ao conhecimento, colocando seus técnicos e especialistas na busca de possíveis soluções.
Isso não signifca que a universidade se isentará de tomar posições. Se formos fustigados, não vamos por panos quentes, garante. Para ele, uma das prioridades do conselho deve ser o estabelecimento de uma política ampla de uso racional das águas, que compreende desde preservação de rios até a luta contra o desperdício de água.
Os representantes dos trabalhadores e dos municípios também concordam que o papel dos conselheiros é buscar soluções sustentadas que atendam às necessidades econômicas e preservacionistas. O conselho tem que abrir o leque, mas as decisões devem levar em conta os dois aspectos, diz o secretário municipal de Agricultura e do Meio Ambiente de Rio Azul (91 quilômetros ao norte de União da Vitória), Paulo Henrique Clazer de Andrade.
O professor de biologia Sérgio Gonçalves Lima, indicado pela Federação dos Trabalhadores em Educação, acredita que o conselho tem obrigação de levantar as questões ambientais e sair à frente, com soluções, antes que os problemas aconteçam. É preciso brigar contra a degradação dos rios, por exemplo, para evitar consequências como a erosão e a estiagem.
Os ambientalistas prometem divulgar para a população qualquer manipulação que possa ocorrer no conselho. Se alguém não defender o meio ambiente, a obrigação das ONGs será colocar na mídia o posicionamento claro dos participantes. Se um empresário não quer tratar de controle ambiental das indústrias, por exemplo, temos que colocar isso para a sociedade, avisa Borges. (M.G.)


