Apesar dos diferentes pontos de vista, representantes dos trabalhadores, empresários, universidades, secretários municipais e do governo estadual são unânimes em apontar boas expectativas com o papel que o órgão deverá exercer daqui para a frente. ‘‘O conselho deve funcionar como um fórum para as reivindicações da sociedade, bem como dos anseios do governo, do setor produtivo e das ONGs’’, garante o secretário do Meio Ambiente e presidente do Cema, José Antonio Andreguetto.
Os ambientalistas também estão otimistas e esperam que o organismo funcione não apenas como um instrumento para avaliar assuntos pontuais, mas que aponte uma mudança de comportamento do governo para a discussão de problemas ambientais. ‘‘Queremos debater temas como a Estrada do Colono (que corta o Parque Nacional do Iguaçu e está aberta ilegalmente há três anos), a proteção de áreas naturais, o uso de agrotóxicos, deliberar sobre a retirada ilegal de palmito, a perda da biodiversidade’’, cobra Clóvis Borges, da ONG SPVS.
Ele lembra, no entanto, que, mesmo com maior participação de setores da sociedade, as entidades ambientalistas continuam minoria no conselho e só conseguirão levar esses assuntos à pauta se os problemas ambientais forem realmente importantes para os demais participantes.
Já o representante da Federação das Indústrias, Luiz Guilherme Pauli, adverte para o risco de se cobrar do conselho funções que seriam de outros órgãos. ‘‘O conselho serve para encaminhar as necessidades da sociedade, mas não pode se sobrepor às atribuições de outros órgãos. Sua atribuição é encaminhar soluções, não resolver.’’ Para ele, a prioridade dos trabalhos deve ser a adequação da legislação federal às características regionais.
Nem atear fogo, nem apagar o incêndio. Na avaliação do representante da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), professor Carlos Mello Garcias, a função das universidades é permitir o acesso ao conhecimento, colocando seus técnicos e especialistas na busca de possíveis soluções.
Isso não signifca que a universidade se isentará de tomar posições. ‘‘Se formos fustigados, não vamos por panos quentes’’, garante. Para ele, uma das prioridades do conselho deve ser o estabelecimento de uma política ampla de uso racional das águas, que compreende desde preservação de rios até a luta contra o desperdício de água.
Os representantes dos trabalhadores e dos municípios também concordam que o papel dos conselheiros é buscar soluções sustentadas que atendam às necessidades econômicas e preservacionistas. ‘‘O conselho tem que abrir o leque, mas as decisões devem levar em conta os dois aspectos’’, diz o secretário municipal de Agricultura e do Meio Ambiente de Rio Azul (91 quilômetros ao norte de União da Vitória), Paulo Henrique Clazer de Andrade.
O professor de biologia Sérgio Gonçalves Lima, indicado pela Federação dos Trabalhadores em Educação, acredita que o conselho tem obrigação de levantar as questões ambientais e sair à frente, com soluções, antes que os problemas aconteçam. ‘‘É preciso brigar contra a degradação dos rios, por exemplo, para evitar consequências como a erosão e a estiagem.’’
Os ambientalistas prometem divulgar para a população qualquer manipulação que possa ocorrer no conselho. ‘‘Se alguém não defender o meio ambiente, a obrigação das ONGs será colocar na mídia o posicionamento claro dos participantes. Se um empresário não quer tratar de controle ambiental das indústrias, por exemplo, temos que colocar isso para a sociedade’’, avisa Borges. (M.G.)

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