Pastoral denuncia falta de atendimento em saúde
O padre Edivan Pedro dos Santos, assessor da Pastoral Carcerária no Estado, confirma que, na região de Londrina, as necessidades próprias da condição feminina não são atendidas a contento. Uma das principais reclamações, segundo ele, é com relação à saúde, incluindo os casos de presas gestantes ou que amamentam. "Muitas não exigem o acompanhamento pré-natal, por exemplo, porque temem ser enviadas a Curitiba. Isso porque quando chegam à capital, dão à luz e ficam seis meses com a criança. Depois disso, como estão longe da família, muitas vezes a criança é enviada para adoção. A grande luta é conseguir que as grávidas permaneçam em Londrina", diz.
Outra preocupação da pastoral é referente ao atendimento em saúde. Segundo o padre, além de não haver a realização de exames preventivos, o processo para conseguir acesso ao médico é demorado e burocrático, impondo às presas o sofrimento de estar doente e não ter acesso ao tratamento. Itens básicos de higiene pessoal também fazem parte das reivindicações.
Há alguns anos, a Pastoral organizou uma campanha com padrinhos que ofereciam mensalmente um kit de higiene com sabonete, xampu, papel higiênico, absorvente e uma revista religiosa para cada detenta. "O Estado passou a oferecer esses produtos e a campanha se desarticulou. Agora, o Estado deixou de garantir os kits e não temos mais organização para atender a todas", lamenta, acrescentando que campanhas são realizadas nas paróquias para atender quem pede. "Resolve apenas problemas pontuais."
O abandono pelas famílias também é confirmado por padre Edivan. "Elas são abandonadas pelos companheiros, recebem poucas visitas e acabam dependendo da solidariedade de outras presas", diz. O abandono judicial também se faz presente. "Como não há presídios suficientes, muitas cumprem penas nas carceragens, onde as condições são piores."
Através de nota divulgada pela assessoria de imprensa, o Departamento da Polícia Civil do Paraná informou que em alguns municípios do Estado existe um convênio com as Prefeituras, através das secretarias municipais de Saúde, onde disponibilizam médicos para prestar atendimentos às presas. Em Londrina, existe uma tratativa avançada entre a Polícia Civil e a Regional de Saúde para que haja atendimento preventivo e continuado às presas do 3º Distrito Policial. "Vale ressaltar que as presas ficam provisoriamente em delegacias, onde aguardam a conclusão do inquérito policial, após são encaminhados ao Depen, que dá toda assistência necessária", diz a nota. A Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária trabalha em projetos para 20 penitenciárias do Paraná (sendo 12 construções e oito ampliações), para atender a demanda necessária em todo o Estado. Os projetos estão sendo discutidos entre técnicos da pasta e do Departamento de Execução Penal (Depen) nacional, com previsão de avanço nas obras nos próximos meses.(C.A.)





