Dois anos. Este foi o tempo de vida que o médico cardiologista deu para Edson de Campos, de 49 anos, morador de Uraí (Norte Pioneiro). A história que tem um começo triste, felizmente termina bem.

Após ter um coração transplantado em 2011, o lavrador agora pensa no futuro e retoma os planos de construir uma casa mais arejada, segura. "Passei a dar valor às coisas simples da vida e pensar que sentimentos como a maldade não valem a pena. O importante é pensar e fazer o bem", diz.

Com dois filhos e no segundo casamento, Campos lembra que os problemas cardíacos começaram quando ele morava fora do país. Ao retornar ao Brasil, demorou para ser diagnosticado. "Após um longo período de exames e especialistas, descobri em 2009 que precisava de um novo coração porque o meu já não estava bombeando o suficiente", conta.

Após essa notícia, passaram-se um ano e seis meses de angústia e aflição, que hoje ele conta com alívio. "Eu estava esperando minha hora. No início, até tinha esperança, mas depois esqueci dos planos e do futuro. Me sentia no corredor da morte, achando que não tinha mais solução", conta.

Campos já havia escolhido o lugar para ser sepultado e deixado a escritura da casa em ordem. Ele que nunca deu valor à religião, foi surpreendido após ver uma matéria sobre a Irmã Dulce na televisão. "Como eu gostava de ficar olhando a paisagem no sítio, aproveitei que estava na beira do rio e pedi que ela me ajudasse, me dando um coração. Eu não rezava e nem ia para a igreja, mas fiz esse pedido. Sem brincadeira. No dia seguinte o médico me ligou dizendo que tinha um coração para mim. Agora é vida nova. É aproveitar a chance que me deram e nunca perder a esperança ", conclui. (M.O.)

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