PASSAGEIROS - AVC durante voo mata mais do que acidentes
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domingo, 16 de dezembro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br>Reportagem Local 
Em 2011 houve mais mortes de passageiros de avião com infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) do que vítimas de desastres aéreos no mundo. Segundo um levantamento da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), divulgado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), no ano passado foram registradas 490 mortes dentro dos aviões de passageiros vítimas das doenças contra 486 que morreram em acidentes de aeronaves.
Os números mostram que os passageiros estão expostos a riscos, sobretudo em viagens de longa duração. Voos que duram mais de quatro horas proporcionam alguns riscos que aumentam as chances de problemas como infarto, derrame e embolia pulmonar.
''Se a pessoa fica muito tempo sentada, ela comprime a veia femural e dificulta a circulação. Isso pode criar coágulos e quando o passageiro se levanta este coágulo pode se desprender e ir até o cérebro, o coração ou o pulmão'', explica o cardiologista Manoel Canesin, coordenador nacional de Treinamentos em Emergências Cardiovasculares da SBC.
A pesquisa da Iata apontou ainda que todos os dias pelo menos mais oito pessoas sofrem problemas de saúde dentro dos aviões ao redor do mundo. ''A grande maioria das aeronaves não está preparada para atender os passageiros com problemas. Até mesmo os médicos têm dificuldades nestes casos. Levantamentos da SBC indicam que 90% dos médicos não sabem fazer ressuscitação ou usar o desfibrilador'', revela Canesin.
No Senado tramita uma lei para obrigar as companhias aéreas brasileiras a realizar treinamento das aeromoças para que elas lidem com passageiros vítimas destas doenças e também a ter o desfibrilador nos aviões.
Nesta época do ano onde muitas pessoas estão se preparando para a viagem de férias, algumas dicas são importantes para evitar problemas graves tanto nos deslocamentos de avião quanto de ônibus. A primeira delas é agendar uma consulta com um médico que possa recomendar alguns medicamentos para evitar problemas.
É recomendado também se movimentar a cada duas horas pelo menos, mexendo os pés e fazendo pequenas caminhadas. É importante também consumir muito líquido e, de preferência, evitar os gasosos. Pode-se usar também uma meia elástica, que ajuda na circulação. ''Não deve-se ingerir nenhum remédio para dormir. A pessoa vai acordar só cinco, seis horas depois. Isso é muito grave'', informa o cardiologista. Pessoas obesas e fumantes devem redobrar os cuidados.
Apenas as mortes que acontecem dentro das aeronaves foram computadas no levantamento, mas Canesin alerta que problemas decorrentes de viagens longas podem aparecer dias depois. ''Até 48 horas após o término da viagem o passageiro pode apresentar, por exemplo, uma embolia pulmonar'', ressalta.
Atendimento
A vendedora Maria Rosemira Simões, de 62 anos, se salvou de um AVC graças ao atendimento rápido que recebeu após retornar de uma viagem de Salvador para Londrina.
Na madrugada do dia 13 de novembro, Maria chegava ao aeroporto de Londrina depois de fazer um treinamento na capital baiana. ''Quando o avião estava pousando eu comecei a entortar a boca e ter dificuldade para falar. Uma moça que estava ao meu lado percebeu e comunicou a aeromoça. Não vi mais nada a partir deste momento'', conta a vendedora.
Rapidamente, a torre de comunicação foi acionada e uma ambulância foi deslocada para a pista. Maria Rosemira foi encaminhada para o Hospital do Coração onde ficou internada por cinco dias na UTI e mais dois no quarto. ''Os médicos ficaram surpresos com a minha recuperação e disseram que a chegada rápida ao hospital salvou a minha vida'', diz a vendedora, que se recupera bem. Ela já tomava medicamentos para pressão arterial antes de sofrer o AVC.


