Distribuídos pelos 50 Estados dos Estados Unidos, vivem hoje cerca de 800 mil brasileiros, conforme informações do Itamaraty. Nenhum órgão oficial detém a informação de quantas dessas pessoas partiram do Paraná. Mas em praticamente todos os municípios do Estado é possível encontrar um paranaense que desistiu de viver nos Estados Unidos por causa dos ataques terroristas ao Pentágono e às torres do World Trade Center, no último dia 11.
O diplomata Rolland Stille acredita que a maioria dos brasileiros que estão nos Estados Unidos partiram de Minas Gerais. ''Mas não fazemos essa estatística porque para nós basta que sejam brasileiros para entrar nas nossas contas'', explica.
O que se sabe ao certo é que a emissão de passaportes no Paraná caiu de 40% a 50% nas duas últimas semanas, conforme informações do delegado da Polícia Federal Alcyon Dalle Carbonare. Até junho, a média diária de passaportes expedidos em Curitiba era de 100. Em agosto caiu para 75 e nas duas últimas semanas a média tem ficado em 40 passaportes por dia. Em Londrina, a delegacia da PF emitia cerca de 60 passaportes diariamente. Nas últimas semanas a procura baixou para cerca de 40. Os funcionários calculam que a metade dos passaportes emitidos são para pessoas que pretendem viajar para os Estados Unidos.
No Consulado Americano em São Paulo a procura por vistos também caiu pela metade nos últimos dias. Segundo a assessoria de comunicação do consulado, antes dos ataques terroristas eram expedidos diariamente cerca de 700 vistos. Agora, a média diária não passa de 350. ''Provavelmente se uma pessoa ligar agendando a entrevista para o pedido de visto por esses dias será atendida em até 24 horas'', diz o assessor Carlos Murilo.
Antes dos ataques as entrevistas poderiam demorar até mais de um mês. O Consulado Americano em São Paulo atende os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
Entre os paranaenses que voltaram mais cedo dos Estados Unidos está o ponta-grossense Renato Nápoli. Ele pretendia ficar três semanas estudando na cidade de Tarrytown, a 60 quilômetros de Nova York, mas acabou voltando mais cedo por causa dos atentados. ''Não havia mais clima para ficar lá'', resumiu.
Nápoli conta que no dia em que tudo aconteceu, a universidade onde ele estava estudando reuniu todos os alunos estrangeiros e orientou-os a não deixar a universidade, onde estavam hospedados. Imediatamente, a fiscalização se intensificou e as carteirinhas de estudante, que antes só eram conferidas à noite, passaram a ter apresentação obrigatória a qualquer hora do dia.
O trem para Manhattan foi cancelado e mesmo depois de liberado só entrava na ilha quem tinha como comprovar que ia para lá a trabalho ou por problemas de saúde. ''Quem ia só para passear era impedido de entrar na ilha.''
Apesar do susto, Nápoli diz que voltaria para os Estados Unidos sem medo. ''Se existe um lugar seguro no mundo, hoje esse lugar é lá'', considera, apostando na determinação americana de evitar uma nova tragédia.
Segundo ele, nos americanos não existe o sentimento de pânico e sim de desânimo. ''Perguntei a um americano quando ele achava que as coisas voltariam ao normal por lá e ele me respondeu que não acredita que o país voltará a ter sua vida normal.''
Nápoli viaja pelo menos uma vez por ano aos Estados Unidos a trabalho. Essa foi sua primeira viagem para estudos. Dessa vez, entre as lembranças que trouxe de lá estão jornais e revistas mostrando a tragédia. Ele já decidiu: vai emoldurar algumas fotos para guardar de lembrança da viagem mais difícil que fez na sua vida.

mockup