O Paraná vai experimentar no próximo mês um projeto nacional que quer aumentar o controle sobre os gastos hospitalares e agilizar o atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A missão foi conferida a um documento de plástico, com uma tarja magnética no verso, semelhante a um cartão de crédito. Batizado de Cartão Nacional de Saúde, ele é o carro-chefe de um sistema informatizado que o governo federal planeja implementar nos 27 estados do País a partir do segundo semestre deste ano. Das 44 cidades envolvidas no projeto-piloto, 31 ficam no Estado.
A futura rede nacional será montada em hospitais públicos e particulares que tenham convênio com o SUS. Por meio do cartão, a população vai registrar os principais eventos clínicos (consultas, receitas médicas, exames e cirurgias) num cadastro eletrônico. Ele vai substituir o formulário de papel do SUS que fica arquivado na cidade de origem do segurado. Os terminais de computador instalados nas unidades de saúde poderão informar em qualquer parte do País o perfil médico de um paciente. Com os dados disponíveis on-line, o médico vai ter mais segurança para dar o diagnóstico ao paciente, informa o Ministério da Saúde.
Desde 96, o governo federal investiu cerca de R$ 90 milhões na implantação do cartão. Cerca de 2 mil unidades de saúde do País devem começar a ser interligadas a partir do segundo semestre deste ano. No próximo mês, o ministério inicia os primeiros testes em três municípios. A data ainda não foi confirmada. As cidades de Aracaju (SE), São José dos Campos (SP) e Cerro Azul (97 km ao norte de Curitiba) vão trocar informações para verificar a eficácia do trânsito de informações pela rede de computadores.
Ainda no primeiro semestre deste ano, o projeto do Cartão Nacional de Saúde entra na segunda fase. O número de cidades que vão testá-lo vai aumentar para 44, onde vivem 13 milhões de pessoas. Trinta e uma cidades ficam no Paraná, sendo que 25 delas estão na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O ministério pretende saber como o sistema vai se comportar numa região metropolitana como a de Curitiba, que recebe um fluxo intenso de pacientes de outros municípios. A implantação do projeto também depende dos municípios, que ficaram com o trabalho de cadastrar os habitantes que receberão os cartões, além de treinar o pessoal que vai manusear os computadores.
Para a coordenadora nacional do projeto, Rosani Cunha, o cartão pode se transformar numa arma contra as fraudes cometidas no SUS. Quando precisar de atendimento, o segurado do SUS terá de apresentar o cartão na unidade de saúde. O documento é a chave para abrir o cadastro do paciente na tela do computador, que vai apresentar as informações sobre sua saúde. Hoje, basta que o segurado apresente um documento de identidade. ‘‘Muitas vezes, esta papelada só chega ao banco de dados do SUS com muitos meses de atraso, o que prejudica todo um planejamento de saúde’’, diz Rosani.
O titular do cartão vai receber um número de identificação. Quem já é cadastrado no PIS/PASEP usará o número dado pela Caixa Econômica Federal (CEF) gravado no documento. Assim que o projeto estiver consolidado, Rosani Cunha prevê que as secretarias municipais e estaduais de Saúde terão meios de verificar o perfil dos pacientes atendidos, em que regiões eles moram, as doenças mais corriqueiras e os medicamentos com maior demanda.
‘‘Pela primeira vez, essas informações nos darão a chance de começar a planejar um melhor atendimento para essas pessoas’’, afirma Rosani. Segundo a coordenadora, os números serão aliados das cidades que recebem pacientes de outras cidades.

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