A falta de escrivães de polícia é flagrante no dia a dia das delegacias do Paraná. Algumas delas chegam a funcionar sem nenhum escrivão em determinados dias. O Estado possui 764 escrivães espalhados pelas 399 cidades e este número deveria ser, no mínimo, de 1,4 mil agentes, de acordo com Sindicato dos Escrivães de Polícia do Estado do Paraná (Sindespol).
"A defasagem é muito grande. Deste total, 600 trabalham efetivamente na função de escrivão em uma delegacia de polícia. Os demais estão 'emprestados' ao legislativo e ao executivo estadual", afirmou Airton Carlos Fernandes, presidente do Sindespol.
Além do deficit, os escrivães não desempenham a função apenas nas delegacias onde são lotados. Eles entram nas escalas para cobrir os plantões noturnos e isso prejudica a elaboração dos inquéritos. "Os flagrantes registrados nos plantões são de responsabilidade dos escrivães. Como o prazo é curto para a conclusão das investigações, o escrivão tem que se dedicar quase exclusivamente para concluí-los e acaba deixando para um segundo momento os inquéritos das suas delegacias", apontou o sindicalista.
Os escrivães têm a responsabilidade de levar aos autos os elementos que qualificam a investigação, em relação à autoria e à materialidade. "Sem isso não há inquérito bem feito", revelou Fernandes.
Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), Ademilson Alves Batista, a falta de escrivães é mais grave que a de delegados.
Reportagem recente da FOLHA mostrou que o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná (Sidepol) estima que o deficit no Paraná é de 200 delegados. "Necessitamos de pelo menos três vezes mais do que o número atual. No caso dos delegados, pelo menos já foi realizado um concurso e só falta chamar. A abertura de um concurso para a contratação de mais escrivães será a principal bandeira dos sindicatos a partir de janeiro", garantiu Batista. Segundo o Sindipol, em Londrina são apenas 27 escrivães.
"Levando em conta o número de inquéritos e crimes existentes hoje, o ideal seria termos 2,5 mil escrivães para que eles pudessem ter tranquilidade de trabalhar nas delegacias de origem e nos plantões", ressaltou Airton Fernandes. "A situação tende a se agravar já que ao longo de 2015 cerca de 300 escrivães já poderão se aposentar."
A Polícia Civil informou, através da assessoria, que não há previsão para a realização de um novo concurso para escrivães. A corporação não quis comentar os números apresentados pelo Sindespol.

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