Paraná tem 500 novos casos de câncer por ano
O médico oncologista Luciano José Biasi, diretor-geral do Hospital Erasto Gaertner referência nacional no tratamento de câncer calcula que todos os anos surjam no Paraná aproximadamente 500 novos casos de crianças até 15 anos com algum tipo de neoplasia. Destas, o hospital tem capacidade para atender apenas 380. As restantes são encaminhadas a outras instituições, como os hospitais universitários, que possuem setores específicos para o tratamento de câncer.
Segundo o médico Dionísio Abrão, responsável pela pediatria do hospital, mensalmente o setor realiza cerca de 400 consultas entre pacientes novos e antigos. Biasi calcula que aproximadamente 2 mil crianças sejam acompanhadas pela equipe. Paralelamente, o hospital vive com sua capacidade de internação na ala pediátrica lotada. Atualmente são 30 leitos, mas há planos para duplicar a quantidade.
O tipo de câncer mais comum entre crianças é a leucemia. Trata-se do aumento no número de células jovens da série branca (leucócitos) do sangue, muitas vezes associado à infiltração celular em diversos órgãos e estruturas do corpo. Em seguida, vem os tumores sólidos, que se manifestam de diversas maneiras, como no aumento dos gânglios linfáticos (linfomas), em neoplasias no sistema nervoso central, nos rins, olhos e músculos. Há diversos tipos de leucemias, mas a de maior incidência é a leucemia linfóide aguda.
A ciência ainda não sabe precisar as causas de cada tipo de neoplasia. ''Como no caso dos cânceres em adultos, há a questão da pré-disposição genética, além do ambiente, do contato com medicamentos, agrotóxicos, viroses que podem desencadear alterações nas células. As causas são várias'', diz Abrão.
No tratamento das neoplasias infantis, ele adianta uma boa e uma má notícia. A boa refere-se à recuperação. ''As crianças respondem bem ao tratamento quimioterápico, melhor que os adultos'', diz. O índice de cura, hoje, chega a 65 e 70% dos casos. Por outro lado, nos últimos anos aumentou muito o número de crianças que desenvolveram uma segunda neoplasia. ''Já atendi umas seis crianças que tinham tido uma doença, fizeram tratamento, estavam curadas e acabaram tendo um segundo tumor ainda na idade infantil ou na adolescência'', diz.





