Paraná tem 179 pontos vulneráveis à exploração sexual infantil nas rodovias
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O Paraná é o terceiro Estado brasileiro com mais pontos vulneráveis à exploração sexual infantil nas rodovias federais. São 179 pontos, de um total de 1.969 em todo o País. Minas Gerais tem 313 locais e, a Bahia, 216. Os números fazem parte do 6º Mapeamento dos Pontos Vulneráveis de Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, projeto Mapear, divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no mês passado. Ele diz respeito a 65 mil quilômetros de rodovias federais nas 27 unidades da federação.
O estudo divide os pontos em críticos, de alto, médio e baixo riscos, sendo que, somente nos críticos, houve ocorrência comprovada do crime em algum momento, desde o primeiro levantamento feito em 2003. Em todo o País, há 566 pontos críticos, sendo que o Paraná concentra 10% deles: 56. Santa Catarina, com 69, Minas Gerais, com 61, e Bahia, com 60, vêm na frente neste ranking.
Bienal, o levantamento é feito pela PRF, em parceria com Organização Internacional do Trabalho (OIT), Childhood Brasil, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Ministério Público de Trabalho. Os pontos são apontados e classificados por meio de entrevistas com policiais rodoviários de todo o País. O objetivo do mapa é fortalecer ações de enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.
Segundo a PRF, em 9 anos foram resgatadas 4 mil crianças e adolescentes identificados como em situação de vulnerabilidades nas rodovias federais brasileiras. E, nos últimos seis anos, foi possível reduzir em 40% o número de pontos críticos no País.
A coordenadora da Comissão Nacional de Direitos Humanos da PRF, Márcia Freitas Vieira, diz que os números têm de ser analisados considerando o tamanho da malha sob jurisdição federal em cada Estado. O Paraná tem a quinta maior extensão do País: são 3.745 quilômetros, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (DNIT). Minas Gerais tem a maior malha: 10.673 quilômetros, seguido por Rio Grande do Sul (5.676), Bahia (5.162), e Mato Grosso do Sul (3.787). "É preciso considerar essas nuanças", afirma. Ela ressalta que a existência de 56 pontos críticos preocupa mais que o número total. "São locais onde já houve registro de casos", salienta.
Metodologia
A coleta dos dados do mapeamento é realizada em período determinado por meio de formulário preenchido por policiais rodoviários federais durante as rondas nas rodovias. O formulário padronizado contém questões sobre as características encontradas nos pontos. A partir das respostas inseridas em banco de dados on-line, um programa calcula e subdivide os pontos por nível de criticidade.
Os critérios que têm maior peso são: existência de prostituição de adulto, ocorrências de exploração sexual de crianças e adolescentes pela lembrança do policial em determinada localidade nos últimos dois anos, registro de ocorrência de tráfico/consumo de drogas nos últimos 24 meses e presença constante de crianças e adolescentes no local.
Serviço Denúncias sobre exploração sexual infantil devem ser feitas ao Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Repúblico. O serviço se encarrega de comunicar as autoridades policiais e os conselhos tutelares em qualquer cidade do País.


