Para os contra, faltou discussão para uma obra tão marcante
"Em Londrina, sofremos uma sequência de crises administrativas e institucionais que desestruturam a máquina pública. Muitas coisas na cidade são executadas sem discussão e só depois a opinião pública percebe que o caminho está errado, como ocorreu no caso dos superpostes na Gleba Palhano. Os pensamentos a médio e longo prazos foram abandonados".
A análise do professor e arquiteto Eduardo Suzuki é compartilhada por um grupo de urbanistas que não aceita que haja uma intervenção tão marcante na paisagem urbana, como o portal inglês, sem uma discussão pública. A corrente também considera que a construção deveria ser inserida em uma política de intervenções estéticas na cidade.
"As obras são erguidas de forma rápida e barata porque não há dinheiro. Não se pensa em estética", criticou. "Um viaduto, por exemplo, pode ser funcional e belo, pode tornar uma cidade mais atraente e apreciada. Isso ocorre em grandes cidades conscientes culturalmente. Mas em Londrina a estética está sempre relegada."
Em meio à decepção com o perfil da obra, os arquitetos enxergam pelo menos um lado positivo no episódio do portal inglês. "É um fato importante porque deflagrou uma discussão sobre a legitimidade de obras que afetam o espaço público e que não são discutidas com a população", afirmou o urbanista Ivan Prado Junior. "Temos uma tradição de pioneirismo, de desenvolvimento e de vanguarda. É lamentável que isso não tenha sido observado."
Prado acredita que a construção da passarela pode ser considerada uma atitude autoritária do poder público. "As obras de Londrina estão refletindo a preferência de eventuais mandatários e não da sociedade. São vontades pessoais e não coletivas. A imposição não é o caminho", disse.
A presidente do Ceal, Maria Clarice Moreno, discorda. "Tenho conversado muito com os engenheiros e todos são unânimes em dizer que a obra é muito bonita e tem identidade. Quem não concorda deveria se prontificar a apresentar projetos para outras intervenções", afirmou. "Eles também não ouviram a população para saber o que ela pensa".
Camila Oliveira, líder da "resistência" nas redes sociais, defende que a melhor forma de promover a discussão em torno de um projeto é a abertura de um concurso público para a obra. "Acredito que a melhor forma de fazer estas intervenções é a promoção de concursos públicos, que inclusive dão uma visibilidade para a cidade entre os urbanistas."
Ivan Prado faz coro: "O Teatro Municipal é um bom projeto porque foi discutido num nível amplo, com a realização de um concurso. E vai, com certeza, ser um marco arquitetônico da cidade", afirmou, referindo-se à obra que se materializa lentamente no Complexo Marco Zero, na zona leste. (L.F.M.)





