Para diarista, moto é a realização de um sonho
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domingo, 03 de novembro de 2013
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Na família da diarista e manicure Dayane da Rocha Nogueira Moreti, de 23 anos, ter motocicleta é quase uma regra. O veículo foi adotado por pai, mãe e primos da jovem, principalmente por representar mais agilidade no trânsito e economia de combustível. Ela também já comprou sua CG 125, mas ainda não pode usá-la por ter sido reprovada nos exames para obter sua primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que inclui a permissão para dirigir carros. A preocupação em ter uma carteira da categoria B é explicada pelo temor de Dayane em transportar a filha de 8 anos na moto. "Me preocupo com a segurança. Quando estiver com ela, vou dar preferência para o carro", diz.
Apesar de ter consciência do perigo oferecido pelo transporte sobre duas rodas, Dayane admite que adquirir sua própria motocicleta foi a realização de um sonho. "Quando eu puder dirigir, vai facilitar bastante. Hoje minha mãe ou meu marido é que me leva para o trabalho." A diarista argumenta que será muito cuidadosa ao conduzir sua moto, e que isso talvez amenize os riscos. "A maioria das pessoas quer dirigir muito rápido, para ganhar tempo. Quando estou com minha mãe, tiram até sarro da gente, de tão devagar que vamos. Vou ser assim também", promete.
Dayane diz estar bem informada sobre as estatísticas em relação às vítimas de motocicletas. "Pesquiso muito sobre isso na internet." Mesmo assim, ela acha que a economia de combustível proporcionada por este tipo de transporte faz o risco valer a pena. "Trabalho em vários lugares e preciso me locomover rápido. Se for usar carro, vai sair muito caro. E depender de ônibus não dá, a gente perde muito tempo", argumenta. Ela acha que estas características da moto é que a fazem um veículo tão popular. No bairro onde mora, o Jardim Itapoã (Zona Sul de Londrina), a maioria das famílias é adepta da forma de transporte. "Só na casa ao lado da minha tem duas Biz (motoneta) e uma moto, além do carro."
Para realizar seu sonho, Dayane precisou primeiro convencer o marido, que trabalha como motorista de caminhão de entrega de bebidas. "Uma vez ele não viu um motoqueiro enquanto dirigia o caminhão, causando um ferimento grave na perna dele. Meu marido nunca esqueceu disso. Tanto que vive me pedindo para tomar cuidado."


