A pedido do senador Cristovam Buarque, os consultores do Senado Denis Murahovschi e Sebastião Moreira Junior apresentaram um estudo detalhado sobre a maconha que, conforme informações do relatório Mundial sobre Drogas 2013, é consumida por 180 milhões de pessoas, ou 3,9% da população de 15 a 64 anos.
A pesquisa concluiu que o futuro da maconha no Brasil é o da legalização controlada, com a regulação de todo o processo – da produção e comércio à posse e ao consumo de drogas –, que ficaria sujeito a controle e fiscalização pelo Estado (ver quadro ao lado).
De acordo com Murahovschi e Moreira Junior, países com políticas mais duras em relação ao uso de drogas mantêm níveis mais elevados de consumo e de problemas relacionados, em comparação aos países com políticas mais liberais. Além disso, há evidências de que a liberalização das penalidades aplicadas às pessoas que usam maconha não leva necessariamente ao aumento sustentado do consumo.
No texto, os autores explicam os componentes da maconha, seu uso como remédio e os aspectos médico-sanitários. Medicamentos produzidos à base de cannabis sativa são atualmente testados para pacientes com dor aguda pós-operatória, esclerose múltipla, fibromialgia, HIV/Aids, glaucoma e transtornos digestivos. No caso dos pacientes com câncer, é verificada uma tolerância maior à quimioterapia quando é feito uso de remédios dessa natureza.
"Uma ampla gama de medicamentos derivados da maconha apresenta efeitos analgésicos em diferentes formas de dor", diz o texto. Por outro lado, eles lembram que o consumo pode levar a efeitos adversos digestivos, odontológicos, pulmonares, cardiovasculares e psiquiátricos.
Os autores também esclarecem sobre o uso industrial da planta conhecida como cânhamo, da mesma espécie da planta cannabis. E destacam que atualmente mais de 30 países cultivam o cânhamo como uma commodity agrícola comercializada no mercado global. Seu talo, principalmente, é usado para fazer tecidos, fios, papel, carpete, móveis, materiais de isolamento térmico e peças automotivas e até na construção civil.
Os dois consultores também relataram que a inalação da fumaça da maconha – mais do que a presença em remédios – produz alterações psíquicas significativas que dependem de características individuais e a dose absorvida, entre outros fatores."Entre os efeitos da maconha estão déficits cognitivo e psicomotor, semelhantes aos observados com o uso de álcool e de ansiolíticos", disseram.

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