Carros arrojados, velozes, sempre fizeram parte do imaginário masculino. Com o arquiteto Ivanoe de Cunto, de 44 anos, não é diferente. Com uma história bem parecida à de Ely Torresin, estes colecionadores trocam apenas de acessório. No lugar dos aviões, carrinhos. Mas barcos, submarinos e algumas aeronaves também estão ali, junto da coleção que inclui, principalmente, carros de competição.
Uma paixão que vem desde a infância. ''Sabe aquela história de ser piloto de carro, de avião, astronauta? pois é, eu queria ser um''. Se o sonho não se tornou realidade, chegou perto, pelo menos na imaginação. Hoje, Ivanoe possui 30 modelos de carros, aviões e barcos, também comprados em kits e montados. O xodó é a coleção completa de seis carros do piloto Ayrton Senna, no período da MacLaren e da Lotus.
Mas tem também os carrinhos menores, mais simples, comprados prontos. ''Com estes dá para a gente fingir que é piloto e brincar de vez em quando''. O cuidado com os demais é justificado por causa das peças minúsculas e delicadas. ''São peças muito pequenas, frágeis, todas coladas. Dá só prá admirar''.
A mania de colecionar começou no período da faculdade, em 82, e até 90, as peças eram compradas prontas. A partir daí, Ivanoe resolveu montar os modelos. ''Comecei a comprar os Kits e montava de acordo com as instruções. Em alguns casos busco informações em livros ou na internet''.
Não é uma coleção barata. Os kits japoneses, por exemplo, custam em média R$ 150 a caixa. ''Mas é possível comprar um pouco mais barato, quando algum amigo viaja e traz mais em conta''.
A fase final, depois da montagem e da pintura, quando os adesivos são colados, é considerada a melhor. ''É quando você vê o trabalho pronto, podendo admirá-lo com a riqueza de detalhes''. Detalhes que incluem o motor, carburador, cintos de segurança, tudo o que existe de verdade num veículo, montado com peças minúsculas. ''Quanto maior o modelo, mais detalhes''. Um trabalho que exige paciência e dedicação. ''Serve como terapia. Quando estou estressado, é só trabalhar a peça umas duas ou três horas, que tudo melhora''.
Além de servir como terapia, a montagem das peças colabora também na profissão de Evanoe. As técnicas utilizadas na montagem dos modelos são aplicadas também nas aulas de arquitetura e desenho industrial, ministradas aos alunos. ''A pintura, o cuidado em lidar com a peça, o manejo final com o trabalho é um treinamento para as criações na universidade''.
Agora, com o final do mestrado, Ivanoe vai se dedicar mais ao hoby. ''Tenho 60 caixas aguardando para serem abertas e montadas. Só falta preparar um lugar especial para colocar as peças prontas'', afirma, com um brilho especial nos olhos, de quem já imagina o resultado final. (M.O)

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