Mais de 12% da população brasileira já são considerados idosos, de acordo com informações do Ministério da Saúde. A expectativa de vida do brasileiro subiu de 33 anos, em 1900, para 75 anos nos dias de hoje. Ao mesmo tempo em que esse envelhecimento pode ser considerado uma conquista, pela mudança do perfil da morbidade e mortalidade, ele coloca o País em alerta. O governo reconhece que a diminuição progressiva das mortes por doenças infecto-contagiosas e elevação das mortes por doenças crônicas degenerativas - principal causa de óbitos na população idosa hoje no mundo - apontam para a necessidade de preparar a população para um envelhecimento ativo e, consequentemente, com melhor qualidade de vida.
O impacto econômico do envelhecimento também preocupa setores envolvidos na prestação de serviços de saúde. De acordo com José Cechin, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), o custo médio dos serviços médicos com a população de mais de 59 anos, em 2010, representava 7,1 vezes mais que o valor gasto com a parcela da população de 0 a 18 anos. Em 2040, a estimativa é que o custo com os idosos seja 7,8 vezes maior. ''O problema é que, em 30 anos, os mais velhos representarão 24,8% da população''. avalia.
Para discutir o assunto, a entidade realizou no mês passado o I Workshop para Jornalistas sobre ''Envelhecimento e longevidade: desafios e tendências para a Saúde Suplementar''. A conclusão dos debates aponta para a necessidade de investir na mudança de hábitos e prevenção de doenças para manter a população saudável e, assim, diminuir os custos com saúde.
''No Brasil, 80% dos idosos com mais de 65 anos têm pelo menos um doença crônica'', afirma André Medici, economista especializado em saúde pública e privada, que também participou do evento. Em 2004, na América Latina, essas patologias comprometiam a estimativa de Anos de Vida Saudável (Avisas) em 62%. A previsão é chegar a 74% em 2030. ''Não é somente o peso da população de idosos que vai determinar impactos financeiros e institucionais nos sistemas de saúde, mas também o nível de saúde das populações idosas.''
Complexas e caras
A transição demográfica causada pela queda de fecundidade e redução da mortalidade precoce levam ao envelhecimento e, ainda, à transição epidemiológica, com redução das doenças transmissíveis e aumento das doenças crônicas, elevando a morbidade em relação à mortalidade no cálculo de anos de vida saudáveis perdidos pela população. ''Na prática, as pessoas estão vivendo mais, porém doentes. As doenças crônicas são complexas e caras, o que exige investimento em promoção da saúde e prevenção'', analisa.
Em 2011, segundo ele, 37 milhões de pessoas vão morrer no mundo em decorrência de doenças como câncer, doenças cardíacas e diabetes. Destas mortes, 20% ocorrerão nos países desenvolvidos e 80% nos países em desenvolvimento. Reduzir em 2% a mortalidade por doenças crônicas, por meio de promoção da saúde e prevenção, evitaria a morte prematura de 40 milhões de pessoas entre 2011 e 2020.
Diante dos fatos, a tendência é que os sistemas de saúde gerem soluções para redução de doenças e anos de vida saudável perdidos. ''É importante gastar mais com promoção e prevenção e responsabilizar financeiramente os indivíduos pela proteção de sua saúde, que é direito e dever de todos, e não somente do Estado'', afirma o economista.

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