Jovens universitários que organizam grandes eventos em chácaras afastadas do centro da cidade disponibilizam transporte àqueles que não têm como se locomover ou querem aproveitar o momento para beber. Isso porquê não é segredo que essas festas são regadas a muita bebida alcoólica. O conhecido Transporte Universitário (TU) sai de um ponto da cidade e volta a ele no final da festa. Os interessados pagam um valor, em média R$ 5, para usufruir do serviço. Já no ponto, utilizam-se dos táxis ou caronas apenas no perímetro urbano para voltarem para casa.
O estudante Tauan Rodrigues dos Santos, de 20 anos, costuma usar o TU com frequência. "É muito melhor pegar o ônibus e não ter a preocupação de dirigir depois, ainda mais por serem festas em lugares bem afastados", diz ele, que também afirma fazer rodízio com os amigos em baladas na cidade. "Sempre tem o motorista da vez que fica sem beber. Já no caso de todos quererem aproveitar a noite, vamos de táxi mesmo", garante o jovem. Aparentemente mais conscientes, muitos jovens têm procurado essas alternativas para não deixarem de aproveitar os momentos de lazer.
O estudante de Direito Samael Martins Corrêa da Silva, 21 anos, não se considera integrante de um "grupo de risco" mais suscetível a acidentes de trânsito. Apesar de jovem, ele e os amigos tomam precauções para se manterem seguros no trânsito mesmo quando a noite envolve consumo de bebidas alcoólicas. "A gente elege o motorista da rodada, que não bebe nada durante a noite e se responsabiliza por levar todos para casa", conta.
Além de temer acidentes, Silva quer evitar, também, as punições previstas pela legislação. "Quem é pego dirigindo embriagado fica com maus antecedentes, o que pode inviabilizar a contratação em caso de aprovação em concurso público", exemplifica.
Mas, por trás, há pais atentos que cobram. A funcionária pública Silvana Santos, mãe de um rapaz de 18 anos, conta que os amigos e o próprio filho preferem beber em casa em vez de saírem. "Deixo muito bem claro que se beberem dentro da minha casa, não vão sair dirigindo depois. Espalho vários colchões pela sala para que durmam por lá mesmo", detalha. A prática é comum em sua casa, mas ela sabe que a idade dos jovens não ajuda muito nas atitudes. "Infelizmente, nem sempre temos o controle de tudo. Porém, se depender de mim, escondo a chave do carro."
Atualmente, o filho está em processo da primeira habilitação e o que a tranquiliza é que o rapaz tem responsabilidade e ficou chocado com um acidente recente, no qual amigos, que estariam alcoolizados, ficaram gravemente feridos e um conhecido morreu. "Ele me garantiu que nunca vai fazer isso. Esse triste episódio reforçou o perigo que pode ser a direção." Enquanto isso, ele pega carona apenas quando alguém no carro não tem o costume de beber. "E se precisar, vou buscar. Comigo não tem esse negócio de vergonha", diz. (M.T.)

mockup