Pablo, alívio e tristeza
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sábado, 16 de fevereiro de 2019
Laís Taine<br>Reportagem Local 
Escapar de um incêndio, ajudar três amigos e perder dez deles. O atleta londrinense Pablo Ruan Messias Cardozo, 16, é um sobrevivente na tragédia do CT (Centro de Treinamento) do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro. Mas se de um lado há o alívio por estar vivo, do outro, a tristeza por estar vivendo o luto por colegas com quem dividia alojamento.
Amparado por psicólogos e assistentes sociais disponibilizados pelo clube, o jovem dá tempo ao tempo. Quando retornou à cidade, dois dias depois do incêndio, não conseguia analisar a situação. "Não penso em nada, só penso em estar com a minha família", respondeu. Uma semana depois, após do pouco contato com familiares das vítimas e dos outros sobreviventes, afirma que vai continuar esperando, que não pretende decidir algo por enquanto.
O jovem afirma que no início se sentia culpado. "No começo eu sentia que poderia ter ajudado mais, mas não tinha o que fazer", lamenta. Agora, com o apoio de amigos e familiares e de ajuda profissional, afirma estar melhor e que consegue ajudar a própria família a se tranquilizar com a situação. Nesse tempo, aproveita a companhia de familiares e amigos, vivendo um dia de cada vez, na recuperação e busca por dias melhores. "No momento é difícil, mas depois passa. O Flamengo está apoiando e o tratamento está indo bem, falaram que é bom para o emocional e psicológico", afirma.
No caso do incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, a comoção e o sentimento de luto coletivo ganham ainda mais força por terem como vítimas jovens no início da vida e cheios de sonhos. "Esse luto social simbólico dos jovens que estavam começando a acreditar que poderiam chegar a um lugar melhor afeta literalmente a questão da esperança das pessoas. A gente projeta nos outros [as nossas expectativas] e, logicamente, o choque e o impacto são maiores", ressalta o psicólogo Tonio Luna.


