O coordenador do Grupo de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Marcelo Firpo, alerta que substâncias químicas como agrotóxicos e inseticidas já foram identificados por estudos como causadores de malformação congênita. Outras causas ambientais seriam a radiação, exposição ao urânio e até mesmo excesso de radiação solar. "A lista é enorme", afirma, destacando que a entidade já publicou inclusive um dossiê sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, que está disponível no site da entidade. "Desde 2008, o Brasil é o campeão mundial no consumo de agrotóxicos, isso é muito preocupante", alerta.
Em parceria com o pesquisador Vagner Soares, Firpo realizou um estudo em lavouras de milho no Paraná no início dos anos 2000. A conclusão foi que para cada dólar investido em defensivos agrícolas nas plantações do grão, havia gastos de US$ 1,28 para o sistema de saúde e para a família do trabalhador, somente relacionados à intoxicação aguda.
Nas últimas semanas, notícias associando o uso do larvicida pyriproxyfen à microcefalia foram divulgadas pela imprensa, fomentando a discussão sobre a possibilidade do aumento dos casos da doença estar relacionado ao uso do produto em reservatórios de água potável. Em nota de esclarecimento publicada em seguida, a Abrasco destacou que em momento nenhum afirmou que os pesticidas, larvicidas ou outro produto químico sejam responsáveis pelo aumento do número de casos de microcefalia no Brasil. "Entretanto, isso não quer dizer que não existam riscos na utilização desse e de outros larvicidas", diz o texto.
Na avaliação da Abrasco, há forte associação entre Zika e lesões neurológicas, inclusive microcefalia, mas ainda não é possível considerar que o nexo causal esteja definitivamente estabelecido.
Firpo reitera, porém, que o saneamento básico inadequado é um problema de saúde pública que precisa ser priorizado pelas autoridades. (C.A)

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