O chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Rebouças Farias, disse que os desafios para a pesquisa do grão se dividem em quatro grandes temas: a água, as mudanças climáticas, a biotecnologia e a gestão agrícola. "Todos os quatro estão interligados e vão contribuir para garantir a sustentabilidade do negócio", afirmou.
Ele destacou a importância da gestão. "A cada dia surgem novos transgênicos no mercado, o que torna o manejo mais complexo para o produtor." De acordo com o chefe da Embrapa, o produtor recebe "informações de todos os lados" e, às vezes, não sabe lidar com elas. "As ferramentas que o ajudam a tomar decisões serão cada vez mais imprescindíveis. O ganho do produtor muitas vezes está na gestão bem feita", declarou. E também defendeu o planejamento. "Temos de parar de nos preocuparmos com o dia de amanhã e começar a pensar nos próximos 10 anos."
Em relação ao clima e aos recursos hídricos, Farias disse se tratar de questões que trazem muitas incertezas. "Precisamos discutir os reflexos da concentração de CO2, da seca, do excesso de chuvas. São extremos climáticos muito prejudiciais à agricultura."
Ele defendeu a ideia de "fazer bem feito o que precisa ser feito" e a necessidade de o Paraná voltar a ser referência em manejo do solo. "Temos de recuperar essa condição porque é muito importante para a sustentabilidade do nosso sistema produtivo", declarou. Por outro lado, o chefe da Embrapa lembrou que o Paraná vem sendo campeão de produtividade nos três últimos concursos feitos pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).
E cobrou ainda mais produtividade. No concurso referente à última safra, a média do Paraná foi de 54,9 sacas por hectare, contra 50, do Brasil. "Por que temos de estar nesta média, se há gente produzindo quase três vezes mais?", questionou. No mesmo concurso, a região de Ponta Grossa teve uma média de 141,79 sacas por hectare.(N.B.)

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