Os efeitos da violência sobre o futuro das crianças e adolescentes podem ser devastadores. Segundo o psicólogo Jean Von Hohendorff, mestre e doutorando em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que desenvolve pesquisas na área, estes efeitos estão ligados a variáveis como intensidade da violência (quanto mais agressiva e invasiva for, a tendência será a de gerar resultados mais negativos), a relação com os agressores (crianças que possuem vínculos de confiança com os agressores tendem a apresentar efeitos mais negativos) e a duração da violência (períodos mais prolongados tendem a ter resultados mais negativos).
O psicólogo esclarece que, em relação aos sintomas, são comuns sentimentos de ansiedade, medo, tristeza e raiva. "Além disso, crianças que vivem em ambientes marcados pela violência tendem a reproduzir este padrão em suas relações. "No que diz respeito à violência urbana, Hohendorff afirma ser comum, após presenciarem ou sofrerem algum tipo de agressão, que as crianças não queiram mais sair de casa.
O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) também é comum em vítimas de violência, de acordo com o pesquisador. "Este transtorno é caracterizado pela dificuldade em lidar com a memória do trauma. Neste caso, gera sintomas como medo intenso, revivência (sonhos e lembranças invasivas) da situação de violência e ansiedade, dentre outros", detalha. Tais reações, informa ele, são comuns dentro de alguns dias após o episódio. Quando persistem e causam sofrimento, é necessária intervenção profissional.
Para Hohendorff, a violência é um fenômeno complexo e multifacetado, por isso não é possível indicar apenas uma causa, mas sim um conjunto de fatores que predispõem sua ocorrência. "Estes fatores dizem respeito a aspectos pessoais (como temperamento, influência genética), relacionais (modo como somos criados, valores cultivados pela família, pessoas com as quais interagimos) e sociais (por exemplo, exclusão, dificuldades financeiras). Somente intervenções que contemplem estes fatores têm o potencial de realmente combater a violência."
O pesquisador defende que as intervenções sejam planejadas com foco interventivo, ou seja, antes de a violência ocorrer. "Uma boa maneira de prevenir a violência é o investimento na capacitação de profissionais como educadores e assistentes sociais para que saibam reconhecer possíveis fatores de risco e possam intervir de forma efetiva."
Hohendorff argumenta não ter um estudo detalhado de indicadores de violência em cidades interioranas, mas lembra que municípios considerados do interior têm crescido em termos populacionais e isso acarreta uma série de mudanças, entre elas a ocorrência de violência em maior escala. "Além disso, ao analisar resultados de uma pesquisa é preciso considerar que a simples comparação dos números de uma cidade com os de outra não é suficiente para que tenhamos um panorama fidedigno. Ao analisar estes números é necessário ponderar uma série de outros, tais como o número de habitantes", ressalta.
O psicólogo observa ainda que com o avanço tecnológico, situações de violência que antes não tinham repercussão ganham mais visibilidade, o que nos faz acreditar no aumento dos índices de violência. "O que se tem certeza é que estamos vivendo um período de maior atenção à violência e de divulgação de sua ocorrência." (S.L.)

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