A psicóloga Carla Maria Lima Braga, docente do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina (UEL), destaca a importância da intensa convivência entre mãe e filho nos primeiros meses após o parto. ''Nós humanos, para nos constituirmos, precisamos do outro. O bebê, logo que nasce e até mais ou menos quatro a seis meses de idade, está em um período que chamamos de dependência absoluta. Este estágio refere-se ao fato de o bebê depender inteiramente da mãe para ser'', explica.
Sob a ótica da psicanálise, mãe e bebê são um só elemento no início. O bebê, esclarece a professora, ainda não está constituído como um ser individual. ''Ele precisa deste outro porque ainda não deseja, não percebe. Assim, os cuidados maternos são essenciais para a constituição de si mesmo.''
Segundo Carla, a mãe é uma facilitadora da existência do bebê como indivíduo, por isso ele precisa de cuidados efetivos de uma mãe real (e não mecânica, ou técnica) e que seja extremamente confiável. ''Esse período é muito importante porque está na base do desenvolvimento do bebê. Destes cuidados depende a saúde psíquica da criança e adulto posteriormente'', diz a psicóloga.
Ela defende ainda que a mãe é a pessoa natural para o cuidado do filho. ''Mãe aqui pode ser entendida como aquela que cuida ou cuidará (mãe adotiva). Mas é aquela pessoa capaz de se identificar inteiramente com seu bebê. Se a mãe é saudável esta identificação ocorre naturalmente, é um período em que a mulher deve ser totalmente dedicada ao bebê e onde começa a real comunicação entre a mãe e seu filho. É uma comunicação silenciosa extremamente importante.''
Carla afirma ainda que o período de dependência absoluta exige muito da mãe e esta deve abdicar temporariamente de si. Caso isto não aconteça, pode gerar dificuldades sérias para a criança. ''O ideal é que a mãe possa se programar para ficar com o seu bebê.'' Ela ressalta que este período passa muito rápido e o grau de confiança estabelecido por ambos é muito gratificante, mesmo depois que a criança já está maior. (Silvana Leão)

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