Estudante do 2º ano de direito matutino na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Leonardo César Igual, 20 anos, poderia gastar o tempo livre em outras atividades. Entretanto, uma vez por semana ele sai de casa no Jardim Quebec, bairro nobre de Londrina, para dar aula de botânica no curso pré-vestibular do Caic do Jardim Leonor (zona oeste).
Leonardo, que veio de Sertãozinho (SP), conta que o ano passado fez inscrição para dar aula no cursinho gratuito que a UEL mantém e ficou em 2º lugar. ‘‘O Guerreiro (coordenador do curso voluntário dos Caic) me convidou para dar aula e, apesar de não ganhar nada, é muito gratificante’’. Leonardo diz que a experiência em sala de aula aperfeiçoa e proporciona segurança. ‘‘O convívio com os alunos também é enriquecedor’’, assegura. ‘‘Fizemos até churrasco juntos’’.
Para Leonardo, que ensina inglês em um outro projeto comunitário, muitos problemas do País poderiam ter solução se todos fizessem sua parte. O pouco tempo que sobra das horas vagas ele gasta como monitor no curso de direito. ‘‘Tempo a gente arruma, é só dormir menos’’, ensina.
Ele reconhece a importância do seu gesto, mas não sabe dizer quem está aprendendo mais. ‘‘Leciono botânica e eles me ensinam sobre a vida’’. Leonardo diz que constata uma verdade já atestada por Guimarães Rosa, em Grande Sertão Veredas. ‘‘Pergunto coisas ao buriti e o que ele me responde é: a coragem minha. Buriti quer todo o azul, e não se aparta de sua água, carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.’’ (M.B.)

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