O município de Ortigueira, a 120 quilômetros de Londrina, está na lista dos dez municípios com piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Paraná, mas não foi contemplado com profissionais na primeira fase do Mais Médicos. Gestores e moradores, que estavam na expectativa de receber profissionais, lamentam a decisão, mas continuam tentando driblar os problemas na área da saúde. Apesar de ter pouco mais de 24 mil habitantes, a cidade é uma das maiores em extensão territorial do Estado e cerca de 60% da população mora na zona rural.

Ao todo, Ortigueira dispõe de um Pronto Atendimento (PA) e 17 Unidades Básicas de Saúde (UBS), porém, apenas três estão localizadas na sede do município e contam com atendimento diário. As demais funcionam somente com técnicos de enfermagem, pois médicos vão a cada 15 dias ou uma vez por mês. "Para chegar até aqui é um sacrifício danado, são mais de 25 quilômetros em estrada de terra. Já aconteceu da gente ficar preso no caminho e ter que vir de trator para a cidade para poder ser atendido", conta José de Jesus Moraes, que acompanhava a esposa doente no PA.

Assim como o casal, muitos se dirigem ao PA em busca de atendimento, justamente por não serem acompanhados na atenção básica. O local está funcionando há quatro meses, desde que a gestão foi terceirizada para um médico que agora mora na cidade. "Não deixamos de atender a nenhum paciente que chega aqui. Entretanto, muitas vezes, é caso de fazer exames e ter um acompanhamento depois. O PA está preparado para casos de urgência e estabilização", detalhou o médico José Luiz Vasilakis. Se o paciente necessitar de mais estrutura, é encaminhado a uma clínica particular, que possui convênio com a prefeitura.

Segundo ele, que morou durante oito anos na cidade de Inácio Martins e agora reside em Ortigueira, há poucos profissionais generalistas no Brasil, e ainda com formação pré-hospitalar. "A maioria faz uma especialização. E, quando se forma, não quer vir para o interior, onde o médico precisa ter, antes de tudo, formação no Programa Saúde da Família. Mas, se forem trabalhar no PA, precisam ainda ter experiência com atendimento de urgência e emergência, já que a equipe é reduzida."

Além dos distritos rurais cujo acesso é difícil, são outros 56 vilarejos e há cerca de quatro acampamentos e dois assentamentos na região. "Os acampamentos são comunidades ainda não regulamentadas pelo Incra, para tanto, não vem recurso do governo para essa região. Mas não podemos deixar de atendê-los. Em uma comunidade, há 450 famílias assentadas, cerca de três mil pessoas. Só para chegar até lá são duas horas e meia de viagem", relata a secretária municipal de Saúde Danielli Martinez. De acordo com ela, o município conta com 12 médicos, mas nem todos atendem diariamente, pois são especialistas.

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