O delegado Clóvis Galvão, titular da Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe) do Paraná, também acredita que não são necessárias novas leis para coibir a violência de torcidas, e sim aplicar as que já existem. Ele cita a decisão da Justiça de Joinville, que determinou que os torcedores envolvidos na briga na cidade catarinense se apresentem à polícia durante jogos do seu time até que haja sentença (veja texto nesta página), como um exemplo do caminho a ser seguido.
"No Paraná, muita coisa já mudou desde o advento do Estatuto do Torcedor e o funcionamento dos Juizados Especiais Criminais (JECrims) nos estádios. Eles agem em todos os jogos na Arena, no Couto Pereira e na Vila Capanema (estádios curitibanos), a aplicabilidade (de medidas legais) é imediata. Em Londrina, também estão trabalhando em jogos da Série D", afirma Galvão. "Sou contra esse negócio de extinguir torcida organizada. Temos que separar o joio do trigo, o torcedor de verdade do arruaceiro."
Galvão acha que, com a volta do público aos jogos na Arena, os torcedores atleticanos terão uma postura de impedir que ocorram novos tumultos que possam prejudicar o clube. "O próprio atleticano vai fiscalizar o comportamento dos outros. O torcedor sabe que a baderna pode gerar consequências graves para o que é mais sagrado para ele, que é o seu clube", justifica.
Além da lista dos 17 atleticanos que têm que se apresentar à polícia toda vez que o time curitibano entra em campo, a Demafe tem um cadastro de 15 torcedores de diferentes clubes impedidos de frequentar estádios paranaenses. Mas em muitos casos a fiscalização é complicada – por isso, a Secretaria de Segurança Pública e o Instituto de Identificação do Paraná estão desenvolvendo um sistema com dados dos RGs de torcedores com histórico de participação em tumultos, que será implantado nas catracas dos estádios locais.
"Se a pessoa passa na catraca, nós vamos saber que ela está no estádio e vamos atrás dela", explica Galvão. Não há previsão para implantação do sistema, mas o delegado aponta que os primeiros testes serão feitos em breve.
Maximiliano Ribeiro Deliberador, promotor de Defesa do Consumidor, assinou em dezembro um termo com a torcida Os Fanáticos, do Atlético, para que os membros da facção não utilizassem materiais referentes à organizada nos estádios durante seis meses.
Deliberador considera que as mudanças introduzidas no Estatuto do Torcedor em 2010 já representaram um grande avanço. O desafio é aplicá-las. "O que o poder público precisa fazer é tomar medidas e resguardar as que foram tomadas no passado, como essas alterações do estatuto e a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios. O cadastramento dos torcedores organizados, por exemplo, que foi anunciado após o episódio do Couto Pereira pelo Ministério do Esporte, foi algo em que não se avançou", critica.
O promotor acredita, entretanto, que no Paraná a situação melhorou – cita como exemplo os planos de ação, envolvendo autoridades de segurança, federações, clubes e torcidas organizadas, que são aplicados para evitar confrontos quando há jogos de maior risco em Curitiba, como os clássicos entre os times da Capital. "É por isso que estamos verificando uma certa tranquilidade em jogos dentro do Estado", argumenta Deliberador.

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