No Brasil, a organização Exodus - que atua em vários países do mundo e tem um braço em Londrina - dedica-se a ajudar as igrejas a lidarem com questões sexuais que envolvem a homossexualidade. Mas para os seus adeptos a vida em acordo com a fé cristã incluiria abrir mão, entre outras coisas, dos relacionamentos com pessoas do mesmo sexo.
''Acredito que a identidade do ser humano relaciona-se com a parte espiritual, e não com a sexualidade'', afirma o professor de inglês Willy Torresin, membro da organização. Ele próprio abriu mão dos relacionamentos homossexuais para se ''conectar com Deus''.
''A Bíblia não fala de homossexualidade como identidade, mas como comportamento. E, assim como uma série de coisas, na Bíblia, o comportamento homossexual não é aceito. A sexualidade, pela Bíblia, é para ser vivenciada por homem e mulher para constituir uma família'', defende ele, que, apesar da posição, é contrário às denominações religiosas que oferecem a 'recuperação' de homossexuais.
''Respeitamos as pessoas que querem viver o estilo de vida que é contrário ao que a Bíblia tem ensinado. Mas a igreja tem que defender o seu direito de ensinar aquilo que crê'', considera. Por isso, o Exodus critica iniciativas como a do deputado Jean Wyllys. ''Não estamos mais na ditadura. Entendemos que uma sociedade plurarista, tolerante e civilizada acomoda a diferença.''
Torresin enfatiza que as pessoas descrentes da Bíblia não devem ficar incomodadas com o que o livro ''diz ou deixa de dizer''. Acreditar nos ensinamentos bíblicos, portanto, seria uma questão de escolha pessoal. ''Não é uma questão de moral ou amoral, é uma questão pessoal. Uma pessoa que vive a homossexualidade pode um dia decidir ter uma família.''
Torresin esclarece que, na abordagem do Exodus, Jesus não pediria a ninguém para mudar de comportamento. ''Ele fala: vem comigo para a cruz e ressuscite uma outra pessoa.'' A vida cristã plena, neste contexto, implicaria em abrir mão da própria identidade, que seria muito maior que a sexualidade.
''O grande problema da igreja talvez seja esse, reduzir o cristianismo a uma questão de mudança do comportamento sexual. Quando você entende que a mudança acontece de dentro para fora...O cristianismo verdadeiro é um relacionamento fundamentado na relação íntima com Deus. E a religiosidade é fundamentada em regras'', critica.
Sobre a escolha de uma vida sem vivenciar a homossexualidade, o professor afirma que, no momento em que a própria identidade deixou de ser sexual, a fonte maior de prazer passa a ser o espírito. ''O problema é que o ser humano está tão erotizado que acreditamos que, sem sexo, o ser humano não vive. Mas o que eu não posso viver é sem Deus.'' (C.A.)

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