Embora o uso dos medicamentos antirretrovirais permita aos portadores do HIV viverem com qualidade de vida, o preconceito que cerca o assunto ainda é tão grande que muitos, ao se descobrirem soropositivos, escondem sua condição de familiares e amigos. Há casos de profissionais liberais que chegam a procurar tratamento em outros municípios, embora todas as informações dos Centros de Referência, como resultados de exames, sejam totalmente sigilosas.
  Entre aqueles que convivem com o vírus sem revelar a quase ninguém está o motorista João (nome fictício), de 51 anos. Ele descobriu que havia sido infectado em 2008, mas não se preocupou em buscar tratamento. Com a imunidade em queda, foi acometido por uma pneumonia há dois anos e, desde então, passou a se cuidar mais. ‘‘Tomo quatro comprimidos por dia, procuro comer bem e levar uma vida regrada. Minha mulher também foi infectada, mas só eu e ela sabemos na família.’’ Para o motorista, que não tem certeza de como foi infectado, as crianças deveriam ser melhor instruídas sobre o assunto.
  É justamente isso que Associação Londrinense Interdisciplinar de AIDS (Alia) vem fazendo com o projeto ‘‘Saber para Reagir’’, que tem apoio financeiro da Johnson & Johnson. Por meio de oficinas e muito diálogo, educadores da ONG esclarecem crianças e jovens de escolas públicas sobre todas as doenças sexualmente transmissíveis, prevenção da gravidez, métodos contraceptivos e puberdade. ‘‘Esclarecemos que a aids tem tratamento, mas não tem cura’’, conta a coordenadora pedagógica da Alia, Maria Abadia Lúcia.
  Uma das atuações da ONG tem sido qualificar professores para abordar o tema sexualidade com os alunos. Para Maria Abadia, o assunto já deveria fazer parte dos parâmetros curriculares nacionais, mas faltam profissionais preparados. (S.L.)

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