A identidade de cada um começa a ser formada a partir do olhar do pai e da mãe sobre o filho. ''Esse olhar contém valores, crenças e limites que podem definir aquela pessoa para o resto da vida'', explica a psicóloga clínica Suzy Cristine dos Santos.
Segundo ela, a distorção da autoimagem, que pode levar aos transtornos alimentares, pode começar a se configurar na relação com a família. ''O próximo núcleo de convivência será a escola, onde o bullying, que prefiro chamar de preconceito, pode predispor aos transtornos alimentares na adolescência'', diz.
Suzy esclarece que pais da chamada geração Y se esforçaram muito para crescer e tentam facilitar as coisas para os filhos, o que pode não ser o melhor caminho. ''É preciso se preocupar com os valores, ser menos consumista ou individualista. O diálogo franco ainda é a melhor forma de prevenção. É interessante dar abertura para falar de sentimentos.''
A psicóloga explica, também, que as vítimas dos transtornos alimentares costumam apresentar características psicológicas definidas: o anoréxico é perfeccionista, não admite falhas ou imperfeições, é inflexível e tem dificuldade em aceitar ajuda; o bulímico é negligente, tem baixa auto-estima e comportamento extremista; já as vítimas do transtorno da compulsão alimentar transitória são superprotetores, abrem mão de si próprios para cuidar do outro, mas ao mesmo tempo manifestam carência. (C.A.)

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