A diretoria da Cohab já tem a receita para debelar a cultura da invasão em Londrina, de acordo com o presidente da companhia, José Roberto Hoffmann. "O fator mais importante para esvaziar a movimentação de invasores é a oferta de casa para a baixa renda", afirma. "A atual administração assumiu o compromisso de construir 7,5 mil unidades até o final do mandato voltadas aos cadastrados com renda familiar de até 1,5 salário mínimo".
O cadastro para esta faixa de renda familiar (cujo teto hoje é de R$ 1.086,00) tem 15 mil famílias e se a promessa for cumprida a oferta deve atender menos da metade da demanda, que deve crescer até 2016. Ainda assim, a Cohab acredita que à medida que os novos conjuntos forem entregues, o ritmo de ocupações deve permanecer sob controle. Outro fator que na visão da Cohab rompe com a política histórica da companhia de ceder diante das ocupações é tornar os critérios de seleção mais claros para os cadastrados.
A política federal para o setor, implantada com o Minha Casa Minha Vida, prioriza famílias que vivem em área de risco, que têm mulheres como chefes de domicílio e que tenham como membros idosos ou deficientes. "Não há fila, há critérios de necessidades. Por isso, casais com ou sem filho e solteiros sofrem com um tempo de espera maior."
Outros dois novos fatores também podem romper com o ciclo de gerações de invasores londrinenses, explica Hoffmann. O primeiro é a nova legislação ambiental, que passou a vigorar em 2012, e que torna qualquer ocupação em fundo de vale como crime ambiental. O segundo é a regra aprovada pelo Conselho Municipal de Habitação que estabelece o georreferenciamento para a seleção dos contemplados, que devem morar num raio máximo de 2,5 quilômetros do novo empreendimento. "Não queremos um novo Vista Bela", comparou Hoffmann, referindo-se ao fato de que o maior investimento do setor nas últimas décadas abriga moradores da cidade inteira.
A questão das invasões voltou à tona após uma série de ocupações na zona norte. Somente em janeiro, foram quatro casos, contra dois em todo o ano passado. Dois deles, que ficam à margem do Córrego Sem Dúvida, no fundo de vale que liga o Jardim Primavera ao Conjunto Maria Cecília, acabaram se fundindo e já abrigava 200 famílias até a última sexta-feira.
Em outro caso, cerca de 100 famílias invadiram um terreno particular vizinho ao Jardim São Jorge, mesmo local que abrigou por mais de uma década o assentamento Nossa Senhora Aparecida. É o único das áreas invadidas este ano que tem acesso a água potável, instalada justamente na ocupação anterior. A terceira área fica no Conjunto José Belinati, terreno da própria Cohab, onde havia também cerca de 100 famílias.
No caso das áreas públicas, a Cohab afirma que a Polícia Civil poderá ir ao local para pedir a identificação dos invasores e que eles poderão responder criminalmente, além de serem excluídos do cadastro. "No caso do José Belinati, eles já estão descumprindo uma determinação judicial, o interdito proibitório, que gera multa diária de R$ 1.000", avisou Hoffmann.

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