No ano passado, foram notificadas 52 ocorrências de queda de granizo à Defesa Civil Estadual, 63% a mais do que o registrado em 2009, quando foram informados 32 eventos do tipo. Em média, a Defesa Civil Estadual recebeu uma comunicação a cada sete dias no Paraná em 2011. Dois anos antes, havia sido notificado um registro a cada 11 dias.
O meteorologista Luiz Renato Lazinski, da unidade de Curitiba do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que no ano passado houve no Sul do Brasil influência da transição de uma fase neutra dos fenômenos El NiÀo e La NiÀa (respectivamente, o aquecimento e o resfriamento das águas no Oceano Pacífico Equatorial) para um período de La NiÀa. ''A ocorrência de queda de granizo é maior em cenários assim. Por isso, tivemos uma incidência acima da média no Paraná e em todo o Sul do País'', descreve Lazinski.
O meteorologista aponta que neste ano também deve haver ocorrência de granizos acima da média, já que entre a primavera e o início do verão deverá haver influência da transição de uma fase neutra para um período de El NiÀo.
Desde o ano passado, um grupo de professores, pesquisadores e alunos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade da Califórnia desenvolve um projeto para analisar o impacto de eventos atmosféricos extremos no setor elétrico do Sul e do Sudeste do Brasil. O estudo, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (CNPq), começou analisando a bacia do Rio Paraná.
A intenção é ter estatísticas mais apuradas da incidência desses eventos nas duas regiões e colaborar para prever tendências do clima. Jorge Alberto Martins, professor no campus da UTFPR em Londrina, aponta que, por ser difícil de ser mensurada, a queda de granizo é certamente muito mais comum do que o computado nos registros disponíveis. ''Começamos com os dados que já existem, como os da própria Defesa Civil. Mas são dados que não bastam, pois são gerados a partir da comunicação de quem sofreu algum prejuízo com o granizo. Se uma ocorrência ocorreu em uma área desabitada, ou não causou prejuízos, ela não é relatada'', afirma Martins.
Por isso, o grupo deve lançar em alguns meses um site para que pessoas interessadas que presenciarem quedas de granizo informem quando e onde eventos desse tipo aconteceram. A partir desses relatos, os pesquisadores planejam montar uma base de informações incluindo dados do passado.
Martins explica que o conhecimento que será gerado no projeto, não será útil apenas para o setor elétrico. ''A partir do momento que tirarmos conclusões sobre estiagens, elas serão úteis para a agricultura, por exemplo'', justifica o professor. (F.G.)

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