Tamarana - Local que já foi cenário de várias histórias tumultuadas, os pavilhões da Colônia Penal Agrícola de Tamarana (Norte) continuam ''abandonados''. Construído na década de 80, a colônia teve as obras paralisadas três anos depois. Apesar da insistente tentativa de levantamento realizada pela reportagem em várias secretarias do Estado, nenhuma conclusão sobre o real motivo da interrupção, muito menos o valor despendido no projeto que teve cinco enormes pavilhões erguidos. Apenas hipóteses de embargos e problemas com o acesso devido à distância.
Na transição de governos, houve uma sinalização de retomada das obras e, até mesmo, o anúncio do Estado que pretendia usar o local para abrigar a penitenciária feminina. Porém, nada aconteceu. Ou melhor, os pavilhões foram utilizados durante anos como depósito de agrotóxicos apreendidos no estado nas décadas de 70 e 80, como BHC e DDT, cuja produção e uso foram proibidos por serem altamente nocivos à saúde humana, animal e meio ambiente.
Após uma intensa briga entre órgãos públicos, principalmente para a responsabilização - já que a área seria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas os barracões da antiga Secretaria de Justiça e Cidadania - um termo de compromisso foi firmado para ''acabar'' com o problema. Somente 11 anos depois da armazenagem, mais de 1,2 mil toneladas de lixo tóxico e escombros provenientes das paredes, forro e piso foram retirados e incinerados. O valor do contrato anunciado à época, 1999, para o conteúdo ser levado ao Rio de Janeiro, foi de R$ 2,4 milhões.
Em meio a interdições e armazenagem, dezenas de famílias conviveram com essas condições, sendo que sete delas moram no local até hoje. Não nos pavilhões em si, mas na região no entorno da área de mais de 40 alqueires que foi sendo ocupada logo após a paralisação das obras. Algumas famílias estão prestes a completar 30 anos ali e sem qualquer conhecimento do eventual risco que ainda correm, esperam ansiosos pela escritura dos terrenos que foram medidos pelo Instituto de Terras Cartografia e e Geociências (ITCG), no ano passado.
Considerada uma das primeiras a habitar a enorme área, a agricultora Maria de Jesus da Silva Bueno, de 56 anos, diz ainda lembrar do forte odor de carniça que o produto exalava. ''Tinha dias que o vento estava forte e trazia aquele cheiro para dentro de casa; era um fedor insuportável'', conta. Apesar disso, afirma que nunca os filhos ou ela manifestaram alguma doença.
Mãe de nove filhos, praticamente todos nasceram e foram criados na pequena casa humilde. Com o anos, saíram do local em busca de trabalho, mas ela e marido permaneceram. Este ano, o caçula veio tomar conta do local, já que o pai, João Batista, mais conhecido como Batistinha, está adoentado.

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