Obra da Boiadeira se arrasta há 25 anos
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domingo, 23 de outubro de 2011
Fábio Galão <br>Reportagem Local 
No Noroeste e no Centro-Oeste do Paraná, a população aguarda a ordem para conclusão da pavimentação da BR-487, a Estrada Boiadeira, que tem 658 quilômetros. Ela começa em Porto Felicidade (MS), corta o Noroeste e a Região Central e termina em Ponta Grossa. As obras tiveram início em 1986 e ainda não foram concluídas. Os trechos mais críticos estão entre Icaraíma (Noroeste) e Campo Mourão.
Um alento veio no final de setembro, com uma decisão do plenário do Tribunal de Contas da União (TCU). As obras de pavimentação até Cruzeiro do Oeste, estimadas em cerca de R$ 38 milhões, haviam sido suspensas por ''Irregularidade Grave com Recomendação de Paralisação'' (IGP). O TCU apontou sobrepreço de R$ 3 milhões no edital, em razão da escolha por uma sub-base mais cara na pavimentação e mão de obra acima dos valores de mercado.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) arguiu que a proposta contratada reduziu o sobrepreço para R$ 1,8 milhão. Com isso, o TC reclassificou-a para Irregularidade Grave com Continuidade (IGC). Ou seja: embora o sobrepreço remanescente ainda tenha que ser solucionado, as obras podem seguir. Outros trechos entre Cruzeiro do Oeste e Campo Mourão estão com licitação concluída ou para serem licitados.
''Um dos potenciais da região é que somos o maior entrocamento rodoviário do Sul do Brasil. A pavimentação da Estrada Boiadeira incrementaria ainda mais a economia local e colocaria os municípios da área em evidência, na medida em que seriam pontos de passagem de pessoas de diferentes regiões do País'', diz o prefeito de Ubiratã, Fábio D'Alécio (PPS), presidente da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam).
Entre os moradores da região, notícias sobre a pavimentação geram desconfianças. ''Falando sinceramente, não estou esperando nada. Toda vez que vem alguém fazer obra, mexem em tudo, entopem os rios, depois param tudo. Façam de uma vez, ou desistam'', reclama Paulo Gonçalves, produtor rural de Tuneiras do Oeste (Noroeste).


