A FOLHA entrevistou dois candidatos que vão tentar um cargo eletivo pela primeira vez em outubro, para que contassem os desafios da estreia na vida política. O maringaense Homero Marchese, 31 anos, concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná pelo PV. Advogado, Marchese era analista de controle do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e pediu exoneração do cargo em agosto de 2012 – segundo o candidato, por ter se desiludido com a forma de atuação da corte.

"O TCE funciona muito mal. O funcionário concursado faz um parecer, que vai instruir o processo que vai ser apreciado pelos conselheiros. Aí, mais ou menos metade dos pareceres é ignorada ou revertida", justifica. Dessa forma, Marchese diz que busca promover mudanças por outra instância: um cargo eletivo.

"Ser servidor público é muito bom, principalmente de início, com um novo patamar de remuneração, a estabilidade, e ao final você tem a aposentadoria com valor integral. Mas quando você observa que o seu trabalho é mal usado, ou você sai ou se acomoda, e aquilo te frustra", explica o advogado. Marchese diz que sua campanha é "extremamente modesta": ele próprio vem fazendo a panfletagem, em especial nas regiões de Maringá e Curitiba.

"Sou o advogado e o prestador de contas da campanha. Até agora, arrecadei R$ 30 mil. Minha previsão é ao todo gastar R$ 40 mil. Uma boa parte foi obtida em um almoço de adesão em Maringá e em um jantar em Curitiba. Estou tirando do bolso R$ 10 mil. O resto está vindo de doações de amigos e familiares", relata. Marchese também confia na divulgação pela internet. "Meu site já teve mais de 22 mil acessos", comemora.

Também estreante em campanhas eleitorais, Marinho Cândido, 56 anos, é funcionário da Sanepar há 27. Exerceu cargos na diretoria do Sindicato de Água e Esgoto de Londrina e Região (Sindael) nos últimos 12 anos. Está licenciado do trabalho e do Sindael para se dedicar à campanha para deputado estadual pelo PTN.

"Acho que tem que haver renovação na Assembleia, e Londrina e região estão carentes de representação lá", explica o servidor. Cândido conta que tem feito uma campanha "corpo a corpo", com ajuda de "companheiros da Sanepar", que colaboram na divulgação quando estão fora do horário de trabalho. "Não recebi nada do partido ainda. Estão para fazer um depósito. Não gastei em material de campanha, porque a coligação mandou. E estou fazendo uma dobradinha com o Denílson Pestana (candidato a deputado federal pelo PT)", descreve o candidato. (F.G.)

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