'O problema é de gestão'
Professores ouvidos pela reportagem da FOLHA compartilham as críticas dos alunos e defendem que a solução para o problema inclui mudança nas políticas educacionais para o Ensino Médio. ''Para começar, não dá para mudar a escola sem mudar a formação dos docentes'', analisa o professor de sociologia Rogério Costa. Ele defende, também, que a carga horária exaustiva e a falta de estrutura das escolas são outros fatores limitantes do processo ensino-aprendizagem.
Contratado pelo regime PSS (Processo Seletivo Simplificado), Costa dá aulas em quatro colégios e, a cada ano, assume turmas em instituições diferentes, o que o impede de criar vínculos com a comunidade e trabalhar, nas aulas, temas contextuais. Questões estruturais como difícil acesso à internet, falta de bibliotecas, laboratórios e equipamentos sucateados são outros problemas. ''O Ideb reflete todas estas questões'', acredita.
Para ele, a falta de estrutura e a formação inadequada transformam o professor num simples ''conteudista'' que não dialoga com as outras disciplinas. ''O problema é de gestão '', avalia ele, para quem a escola não atende a contento as demandas da sociedade.
A professora de língua portuguesa Grasiele Gonçalves Coutinho também defende maior aporte de investimentos em estrutura e alerta para a possibilidade da realidade ser mascarada pela substituição do Ideb pelos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) na avaliação. ''A maioria dos inscritos no ENEM são estudantes que estão se preparando para o vestibular e que não refletem a condição de todos os alunos, como por exemplo os do período noturno'', contesta.
A educadora lamenta se deparar diariamente, nas salas de aula, com adolescentes brilhantes que, como os entrevistados desta reportagem, enfrentam as limitações da má qualidade do ensino na busca pelos sonhos. ''Eles não sentem vontade de continuar estudando.''





