'O importante é gostar e cuidar das crianças'
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sábado, 15 de março de 2014
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A psicóloga Eliane Maio, pós-doutora em educação escolar, explica que o conceito tradicional de família, formada por pai, mãe e filhos, tem origem na época em que os casamentos eram "arranjados" com a função de preservar posses. "Não se levava em conta a afetividade", explica. Hoje, essa realidade já não é mais válida, visto que os casamentos, a princípio, são motivados pelo afeto. "Por isso, o mais importante é que a família seja capaz de oferecer cuidados físicos o psíquicos, independentemente da organização", acrescenta.
Eliane questiona, inclusive, o mito de que a responsabilidade de cuidar dos filhos para garantir o pleno desenvolvimento da prole implica na presença da mãe. "O principal cuidador pode ser a mãe, o pai, tios, avós, desde que sanem as necessidades físicas e psíquicas. O importante é que sejam pessoas que gostem e cuidem das crianças."
Defensora dos direitos das famílias homoafetivas, ela lembra que há muito tempo existem crianças convivendo tranquilamente com pais homossexuais, sem qualquer prejuízo ao desenvolvimento. Ensina, também, como tratar o assunto com os pequenos. "O ideal é explicar que são duas pessoas que se gostam e que todas as formas de afetividade são válidas. Criança criada em ambientes preconceituosos vai acabar desenvolvendo preconceitos", adverte.
Sobre o Estatuto da Família proposto pelo deputado Anderson Ferreira, que pretende limitar o conceito de família ao núcleo formado por homem, mulher e filhos, ela afirma que legislações desta natureza devem ser discutida a partir de estudos profissionais, ao invés de convicções religiosas. "Da forma como foi proposta, vai causar sofrimento a todas as outras famílias que não se encaixam nesta definição."


