Arquivo FolhaApesar da beleza, arquitetos e decoradores afirmam que os tapetes são uma arte para ser pisadaAo longo dos tempos, o tapete sempre foi um objeto de uso doméstico, com uma utilidade prática no cotidiano das pessoas. Sua história remonta até a primeira pessoa que utilizou um pele de animal para forrar o chão e aquecer o ambiente, quando o lar não passava de uma caverna. Com o tempo - muito depois -, o homem aprendeu a fiar e tecer a lã dos animais (mais tarde, as fibras de vegetais), colori-las e a criar padronagens para embelezar o local. O mais antigo tapete que se tem notícia foi descoberto num túmulo de um príncipe asiático desconhecido, datado de 2.500 anos.
Hoje em dia, existem milhares de tipos de tapetes, dos artesanais ao fabricados em série. Mas nenhum desperta tanto a imaginação do brasileiro como o tapete persa. Segundo o iraniano Jahangir Behrouzi, comerciante de tapetes persas em Londrina, o termo persa não indica, necessariamente, tapetes produzidos no Irã, antiga Pérsia, mas na região onde se localizava a Civilização Persa, na Antiguidade. ‘‘A Pérsia antiga compreendia o Irã e seus vizinhos mais próximos, um pedaço da Índia, Afeganistão, Paquistão, Turquia, parte da Rússia e parte da China. Depois de inúmeras guerras, a Pérsia - o atual Irã - ficou reduzido a seu tamanho atual. Mas os tapetes produzidos à mão, nessas regiões, continuam sendo chamados de persas’’, explica.

Milton DóriaAs franjas são um detalhe a ser analisado na hora de comprar tapetesDentro da generalização persa, existem vários tipos de tapetes. Geralmente, levam o nome da cidade onde é produzido. Os mais valiosos por sua alta qualidade são produzidos em quatro cidades iranianas: Tabriz, Isfaha, Nain e Ghum. Shiraz e Hamadan são os mais populares, com preços mais acessíveis. ‘‘Mas cada cidade pode produzir de oito a 12 tipos de tapetes. Então têm o Tabriz A, B, C e assim por diante, sendo que o A é o melhor’’, comenta.
São vários fatores que diferenciam um bom tapete persa do outro. O principal deles é o ponto. Um tapete persa de primeiríssima qualidade deve ter 800 mil (isto mesmo) pontos por metro quadrado, sendo que cada centímetro quadrado deve ter exatamente nove pontos na horizontal e nove na vertical. ‘‘Uma pessoa pode levar de quatro a seis meses para tecer um metro quadrado’’, afirma Behrouzi.

Uma pessoa pode levar até seis meses para tecer o metro quadrado de um tapete persaA quantidade de cores, o tipo de lã e o tamanho do desenho também influenciam na qualidade (e preço) final do produto. ‘‘Quanto mais cores, melhor a lã e menor o desenho mais valioso o tapete’’, diz. A única exceção é o tipo Ghabeh, também do Irã, que é mais liso e menos desenhado que os outros, além de mais ‘‘fofo’’. ‘‘Mas feito de uma lã de primeiríssima qualidade’’, garante.
Jahangir Behrouzi e o irmão, Houshang, trabalham com tapetes persas há 10 anos. Além de comercializar o produto, também fazem manutenção e restauração de tapetes persas. A restauração, aliás, não é nada fácil. ‘‘Além de ter que descobrir o tipo de nó dado no ponto, temos que descobrir também o tipo de lã usada. É bastante complicado e pode demorar meses, já que temos que importar estas lãs’’, diz Jahangir.
Um tapete persa pode custar de R$ 40 - o kilin indiano, por exemplo - a R$ 4 mil o metro quadrado. ‘‘Estes são os de melhor qualidade e vendidos só por encomenda’’, explica. Mas, por mais caro e bonito que seja, Behrouzi lembra: tapete é para ser usado. ‘‘Ele foi criado com uma função. Pode ser uma obra de arte, mas é uma obra de arte que deve ser pisada’’.
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