Carlos Eduardo Stecca, oncologista clínico, é categórico a desmentir os "milagres" da pílula do câncer
Carlos Eduardo Stecca, oncologista clínico, é categórico a desmentir os "milagres" da pílula do câncer | Foto: Anderson Coelho



As notícias sobre a cura do câncer teve um episódio à parte quatro anos atrás, com a divulgação da fosfoetalonamina sintética, chamada "pílula do câncer". A pílula chegou a ser distribuída por uma lei sancionada em abril de 2016, pela então presidente Dilma Rousseff, mas um mês depois foi suspendida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Muitos pacientes entraram na Justiça para obter o medicamento, pois em 2014, a USP (Universidade de São Paulo) proibiu a produção da substância em seus laboratórios.

Os estudos da fosfoetanolamina sintética começaram na década de 90, pelo pesquisador atualmente aposentado, Gilberto Chierice, no Instituto de Química da USP em São Carlos. Em março deste ano, o Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) suspendeu a inclusão de novos pacientes nos testes clínicos com a substância pela ausência de "benefício clínico significativo" nas pesquisas realizadas. Agora, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga as pesquisas sobre a fosfoetanolamina sintética pede novos estudos para avaliar se houve falhas.

"Achei que essa história tinha acabado, mas não. Na semana passada, um paciente me perguntou se podia tomar a fosfoetalonamina", revela o oncologista clínico em Londrina, Carlos Eduardo Stecca. Ele salienta que os estudos apontaram claramente que esta medicação não tem eficácia, sendo inclusive deletério em alguns pacientes de câncer de pulmão. "Agora, a graviola, por exemplo, a gente não tem nenhum embasamento científico para provar que funciona ou não. Não contraindico, mas digo que o paciente tem que continuar utilizando o tratamento padrão, aquele que a gente sabe que funciona", sustenta. (M.O.)

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