Nos esquemas revelados pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, deflagrada mês passado, Alberto Youssef pode ter usado o mesmo "modus operandi" de esquemas já investigados e que estão sob juízo. O doleiro seria responsável pela movimentação financeira que transforma real em dólar no mercado paralelo de câmbio através de contas de empresas de fachada. Depois, Youssef, que levava uma porcentagem no trabalho, trazia o dinheiro destas contas e enviava para destinatários de interesse das fontes que o contrataram.
Em 2002, ano eleitoral, foram duas operações em que o doleiro esteve envolvido – as quais, para conseguir vantagens no processo, apelou para a delação premiada: o caso Copel/Olvepar e outro esquema que envolve a companhia paranaense em uma contratação sem licitação da Associação dos Diplomados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Adifea).
Promotor de Justiça do caso Olvepar, o ex-secretário de Segurança Pública do Paraná Luiz Fernando Delazari acredita que pode haver conexão entre esses casos. "Era uma forma de levantar dinheiro para campanha eleitoral."
Também um dos braços da recente Lava Jato trabalha com a hipótese de desvio de recursos para campanhas eleitorais, mas os inquéritos sobre o tema ainda estão em curso.

DINHEIRO PARA CAMPANHA
A delação de Youssef mostra que o modo como ocorria a lavagem de dinheiro envolvia as mesmas empresas: "Eram seis ou oito contas" para as quais o dinheiro, já retirado em Curitiba, era enviado para São Paulo e Rio de Janeiro. Havia, segundo ele, a participação de outros doleiros. No caso Olvepar, um doleiro chamado Paulo Malta, da capital do Rio de Janeiro, estaria envolvido. "Ele fazia a reserva (do dinheiro) no próprio Banco do Brasil e pedia que o carro forte trouxesse esse dinheiro até o escritório dele, e eu, pessoalmente, retirava o dinheiro do escritório dele e trazia (de avião) para Curitiba."
Na capital paranaense, segundo Youssef, as notas eram transferidas para terceiros. O repasse era feito pelo próprio doleiro. Um dos destinatários, segundo a delação, no caso Olvepar, era o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas (TC) do Paraná Heinz Herwig. Ele relata uma situação do dia 6 de dezembro de 2002, em que levou o dinheiro para o escritório do empresário Maurício Roberto Silva, da Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon), condenado em 2009 pela participação no caso Adifea.
"Nesse dia só o Heinz que esteve no escritório e levou (o dinheiro), inclusive preparou caixas, caixa com 1 milhão, caixa com 1 milhão e duzentos, caixa com 2 milhões e levou esse dinheiro", disse Youssef. Em outro trecho do depoimento ele ainda menciona que "parte desse dinheiro que foi entregue por último para o senhor Ingo (Hubert, ex-presidente da Copel à época), 400 mil dólares eram para o senhor Jaime Lerner (então governador do Paraná)".
Dentro do caso Adifea, o doleiro revela que "muitos políticos" estavam na sede da Embracon, no momento da entrega de valores dentro da empresa, no final de 2002. Youssef disse que, apesar de não saber para quem exatamente iria o dinheiro lavado, a época era "praticamente final de campanha (eleitoral)" e o empresário da Embracon pediu para que "ficasse lá na sala dele, que tinham vários políticos".

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