O DOLEIRO DO PARANÁ - Muito maior do que a movimentação no Mensalão
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de abril de 2014
Rodrigo Batista<br>Equipe Bonde 
O advogado de dois dos acusados de envolvimento no escândalo Copel/Olvepar apresentou documentação à Justiça no ano passado que aponta um pagamento feito pela Copel de parte do valor que saiu dos cofres públicos do Estado. Uma ata de janeiro de 2004 mostra decisão da diretoria da empresa para repasse à Secretaria da Fazenda (Sefa) do Paraná de R$ 64.488.798,24 (equivalente ao valor corrigido de R$ 39,6 milhões repassados em 2002).
Em 2003, no primeiro ano de seu mandato, o então governador do Estado Roberto Requião anulou o decreto estadual que autorizava a transferência financeira da Copel para a Olvepar. Isso criou uma dívida da companhia com o Estado. A diretoria da Copel teria feito um pagamento em duas parcelas, uma de R$ 31.195.877,04 e outra de R$ 33.292.921,20. O texto da ata diz que o pagamento tentou evitar "possível autuação da Copel por parte da Sefa, o que acabaria por elevar a dívida da Companhia com o Estado".
Segundo o advogado José Renato Caziero Cella, que defende o ex-gerente da Coordenadoria de Gestão Contábil da Copel Cezar Antônio Bordin e o ex-gerente da Coordenadoria de Gestão Financeira da empresa André Grocheveski, isso prova que a Copel não teria mais dívidas com o Estado. "A ação perdeu o objeto", diz, sobre o processo por improbidade administrativa. Cella pediu a extinção da ação e o desbloqueio dos bens dos réus, o que ainda não foi analisado pela Justiça.
O advogado contesta ainda o valor do "rombo fiscal" deixado pela operação que o Ministério Público alega ser ilegal. Ele afirma que, ao contrário dos R$ 106 milhões, somente os R$ 39,6 milhões teriam deixado o caixa da Copel em 2002.
Mas o ex-promotor de Justiça Luiz Fernando Delazari explica que o montante superior a R$ 100 milhões seria referente a duas transações que teriam favorecido a Olvepar. Uma, de R$ 39,6 milhões, saiu dos cofres da Copel para a Olvepar. O restante faz parte de um crédito criado dentro do governo do Estado para a empresa que foi pivô do escândalo.
"O Estado comprou um título de R$ 67 milhões que não existia em favor da Olvepar. Ou seja, parte do rombo saiu da Copel e outra parte do governo", diz Delazari. Em uma "atualização grosseira", segundo o ex-promotor, o montante chegaria, em 2014, a cerca de R$ 250 milhões. "Isso é muito maior do que a movimentação no Mensalão", alega.
A Copel foi procurada pela reportagem, mas a empresa informou que não vai se pronunciar sobre o assunto, por se tratar de um processo que ainda corre na Justiça.


