''O coração fala mais alto'', revela colaborador
Entre os vários personagens londrinenses que aparecem com frequência no horário nobre da TV desenvolvendo atividades voluntárias em escolas está o eletricista Francisco Martinês, de 61 anos, que mora no Jardim Bandeirantes (zona oeste). Ele tornou-se um amigo da Escola Estadual Tiradentes, que fica na Vila Recreio (área central).
O eletricista admite que este tipo de iniciativa não é movida pela razão. Se a gente pensar que paga tanto imposto, e que isto (fazer a manutenção das escolas) é obrigação do governo, acaba não fazendo. Para Francisco, porém, é o coração que fala mais alto quando se depara com as dificuldades enfrentadas por tantos alunos carentes.
Tem sido assim desde o início. No final do ano passado ele foi chamado para fazer um conserto na escola e se deparou com uma situação inesperada. Por causa de um vendaval, quase todos os reatores estavam queimados. Como já estava quase no final do ano e os alunos estavam fazendo prova, resolvi não cobrar pelo serviço porque seria uma burocracia. A escola teria que providenciar outros orçamentos, esperar pela liberação de verbas, e a situação não permitia esperar.
Assim, ele passou a ser um colaborador assíduo da direção da escola, que sempre recorre ao eletricista em situações de emergência. Eu sei que eles precisam e me sinto bem ajudando.
A diretora da Escola Tiradentes, Aparecida Elisabete Oberle Machado, também reconhece que como o prédio é do Estado é sua obrigação conservá-lo. O governo não pode se eximir totalmente desta responsabilidade. É preciso que haja um controle das necessidades de cada região, procurando supri-las. Aparecida lembra ainda que muita responsabilidade é jogada nas costas das Associações de Pais e Mestres (APMs) e quando a comunidade é pobre há dificuldade de arrecadar até pequenas quantias.
Por outro lado, quando há participação da comunidade, cresce a responsabilidade com a conservação, diz a diretora. Ela afirma que cada dia mais pessoas se prontificam a ajudar, o que é bastante animador. Porém, segundo Aparecida, é na camada da população mais pobre que cresce o número de voluntários. São justamente os mais carentes que se propõem a ajudar. Além de Francisco Martinês, a escola conta com o trabalho de um encanador, um jardineiro e de alunos que se prontificam a ajudar na limpeza. (S.L.)





