Pelo menos uma vez por semana um funcionário do Hotel Igapó, na área central de Londrina, enche o porta-malas de um veículo com sacos cheios de lixo reciclável e os leva ao barracão da Cooperativa de Trabalho de Profissionais de Reciclagem de Londrina (Coocepeve). Esta rotina foi adotada desde que os recicladores passaram a dividir a tarefa de coletar os resíduos das diferentes regiões da cidade com uma empresa terceirizada.
''Como estamos no Centro, os catadores estão proibidos de passar aqui. Quando eles passavam era supertranquilo, porque a gente colocava o material ali na frente e em pouco tempo tudo era recolhido. Não havia acúmulo. Agora a gente nunca sabe quando e a que horas o caminhão vai passar, não há um padrão confiável. Às vezes o material fica lá, na frente do hotel, de um dia para o outro. Além de ninguém recolher, muitas vezes os resíduos amanhecem remexidos ou espalhados pela rua. Aí temos o trabalho dobrado de recolher tudo novamente'', argumenta a gerente geral do hotel, Lúcia Canelli.
Para abrigar todo o material reciclável acumulado na rotina de atendimento aos hóspedes - de 30 a 40 quilos por dia - foi construído um pequeno depósito no subsolo. Quando não há mais espaço para armazenagem, é hora de carregar tudo para o depósito. ''Para nós, virou um caos'', resume a gerente.
O diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Décio Fernando Rosseto Zulian, admite que atualmente o sistema de gerenciamento de lixo da cidade precisa de alguns ajustes, como por exemplo definir melhor os horários de coleta de recicláveis da área central. Ele lembra que atualmente a tarefa está a cargo de três cooperativas de recicladores e da empresa Ecosystem Serviços Urbanos Ltda. ''Detectamos situações que não estavam contribuindo para que o processo fluísse. São situações pontuais, mas de maneira geral o sistema funciona de forma satisfatória'', diz Zulian.
Entre as situações irregulares detectadas nos últimos dias está um depósito de resíduos a céu aberto nas proximidades do campus da Universidade Tecnólogica Federal do Paraná (UTFPR), na Zona Leste de Londrina. Em visita ao local, na última quinta-feira, a reportagem identificou vários tipos de materiais recicláveis misturados a rejeitos. Um rapaz que estava no local disse não saber quem estava depositando o material na área, nem se tinha alguém fazendo a separação dos resíduos.
Segundo o diretor da CMTU, no terreno deveriam ter sido construídos barracões para triagem de material reciclável, mas eles não foram concluídos. ''Estamos apurando. Até onde sabemos, houve descumprimento de cláusulas do contrato e há uma discussão judicial, mas é certo que não se trata de um local de trabalho. Estamos tentando identificar quem está fazendo o despejo irregular.'' Conforme Zulian, nos próximos dias os resíduos serão retirados do local.(S.L.)

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