'Nunca me arrependi de ser agricultor'
O agricultor Pedro Chinaglia, de 76 anos, morador de Cambé, é o patriarca de uma típica família de classe média que sempre viveu da renda da terra. Proprietário de uma área de aproximadamente 15 alqueires no município, ao lado da esposa Marlene ele criou e educou os três filhos, Aparecida Cristina, José Marcos e Luís Eduardo, com os recursos obtidos na propriedade onde atualmente mantém uma grande parcela mecanizada, com cultivo de soja, milho e trigo, além de um pomar de laranja e dois aviários. Hoje, a família aumentou e inclui também seis netos e três bisnetos.
A trajetória nem sempre foi fácil. "O clima castigou demais os produtores paranaenses. A geada de 1975 foi a 'gota d´água' que nos levou à mecanização. Apesar disso, não houve um dia na minha vida em que tenha me arrependido de ser agricultor", lembra.
Ciente de que os pequenos e médios proprietários não conseguem caminhar sozinhos, ele é associado à Cooperativa Integrada que, segundo o produtor, facilita o acesso à assistência técnica e ao crédito para financiamento. Além disso, permite comprar insumos com preço mais baixo. "É mais prático na hora de vender a safra, pois pagam o preço do mercado. Sozinho, o agricultor não aguenta", defende.
Foi com o trabalho no campo que Chinaglia custeou a universidade dos filhos. Orgulha-se, também, da escolaridade dos netos e bisnetos. "Está todo mundo na escola ou na faculdade", comemora. Ele próprio foi enviado a um colégio interno na adolescência, junto com um irmão, pois os pais queriam que concluíssem os estudos. "Não terminamos o ginásio porque as despesas eram altas. O pai não aguentou", diz.
Lazer, para o casal, significa participar das atividades da igreja católica que frequentam. "Ajudamos nas festas e também faço celebrações nas vilas rurais", conta ele, que por quase 30 anos foi o responsável por fazer o famoso quentão da festa de Santo Antônio de Cambé.
Quando os filhos convidam, também costumam frequentar shoppings, restaurantes e pizzarias em Londrina. "Natal e Ano Novo a gente passa na praia", destaca Chinaglia, que por 48 anos foi o baixista da banda Corporação Sete de Setembro.
José Marcos, o filho do meio, se formou em administração de empresas e agora segue os passos do pai. "É ele quem administra a propriedade. Eu vou lá para dar uma olhada nas coisas, porque gosto. Mas estou aposentado", conta.





