'Nunca imaginamos passar por isso'
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de outubro de 2015
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
No feriado de 7 de setembro, a professora Marlene Vidotti Bononi, moradora de Foz do Iguaçu, voltava de uma festa de aniversário com o marido, por volta das 20h30, quando viveu um dos dias de maior desespero na vida. O nome poético do bairro, Jardim das Flores, não foi suficiente para impedir que o local enfrentasse a destruição causada por fortes ventos e uma tempestade de granizo que causou danos a quase todas as casas da vizinhança. "As pedras eram grandes e arrebentaram o telhado, que ficou parecendo uma peneira", recorda ela.
Como o forro tem manta térmica para amenizar o calor, a água da chuva não entrou diretamente pelo teto. O volume foi tão forte, porém, que o líquido começou a escorrer pelas paredes e luminárias, alagando a casa. "Virou um chuveiro em cima da minha cama", conta ela, que ainda contabiliza os prejuízos causados aos móveis e também ao guarda-roupa. "Foi tudo tão rápido que não tivemos como acudir. Minha filha é advogada e tem um escritório em casa, só me lembrei de salvar o computador e os documentos."
Pelo menos 60 mil pessoas foram afetadas pelas intempéries, em setembro, no município. Outros dois filhos de Marlene moram no mesmo bairro e tiveram as casas danificadas. "Tive que acolher um deles porque não dava para ficar em casa antes de arrumar", relata. O Jardim das Flores ainda hoje está coberto por lonas. "Todo mundo está trocando o telhado porque a destruição foi grande. Faltou material de construção na cidade e também mão de obra para fazer os reparos. A gente acaba se ajudando uns aos outros", diz.
Apenas os consertos na casa de Marlene custarão mais de R$ 9 mil. "A sorte é que temos seguro", conta ela, que teme pela situação de famílias menos favorecidas que habitam uma invasão irregular na vizinhança do bairro. "Muita gente ficou sem nada. A população de Foz se mobilizou para ajudar com doação de roupas, alimentos e fraldas", agradece.
As consequências do temporal são sentidas também fora de casa. A escola onde Marlene é vice-diretora, por exemplo, foi interditada pela defesa civil por ter acumulado muita água na laje, o que impõe risco de desabar. Por isso, os alunos estão sem aulas desde o temporal. No bairro, duas escolas municipais e duas creches também estavam fechadas até a última semana.
Há 28 anos no bairro, ela conta que nunca tinha visto uma chuva com tamanha intensidade. "Nunca imaginamos passar por isso. A gente sabe que acontece, mas não imagina que será na nossa casa", afirma. A paisagem das ruas cheias de entulhos, que a prefeitura ainda não deu conta de recolher, impede os moradores de esquecerem o que se passou. "A gente fica o tempo todo monitorando a previsão do tempo para saber se vai chover. Muita gente está aproveitando as reformas para reforçar a cobertura das casas, colocar zinco... Mas o mais importante é rezar muito para que tenhamos proteção."


