São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) é o município que apresentou os maiores números de crimes contra a dignidade sexual nos primeiros trimestres de 2012 e 2013, com 239 casos e 191 casos, respectivamente. Os dados constam na Base Boletim de Ocorrência Unificado (BOU) de abril deste ano, e referem-se aos 23 municípios do Paraná que compõem o sistema de Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp).
Em Curitiba, os registros, nos mesmos períodos, foram de 185 casos (em 2012) e 144 casos (em 2013). Além destes dois municípios, em outros 10 dos que integram as Aisp as ocorrências sofreram queda. Entre eles está Londrina, onde os crimes caíram de 75 para 73 nos dois períodos (-2,6%).
Já entre os 11 municípios que registraram aumento deste tipo de crime nos primeiros trimestres dos dois últimos anos, o campeão foi Maringá (Noroeste), que viu as estatísticas variarem de 65 para 92 crimes nos períodos (aumento de 41,54%). Para a delegada Emilene Locatelli, responsável pela Delegacia da Mulher do município, a evolução nos números se deve ao maior volume de denúncias. ‘‘Às vezes passamos um bom período sem casos de estupro, já chegamos a ficar oito meses sem nenhum registro’’, argumenta a delegada. Ela admite, porém, que nos últimos anos cresceram os casos de estupro de vulnerável envolvendo familiares.
Na cidade de São Paulo, os números referentes apenas ao mês de fevereiro deste ano impressionam. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, os casos de estupro no maior município do País cresceram pelo 12º mês seguido. Foram 287 registros – cerca de 35% a mais que os 213 casos anotados em fevereiro de 2012. Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram 46 ocorrências a mais no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2012 – um aumento de quase 70%.
Muitas mulheres hoje sentem-se encorajadas a denunciar em função de campanhas realizadas na mídia e também por mudanças no Código Penal. Até 2009 só era tratado como estupro a agressão com penetração vaginal comprovada. O toque e até a penetração anal eram tratados como atentado ao pudor. A mudança na lei, de acordo com especialistas, têm levado mais vítimas a denunciar as agressões, influenciando as estatísticas.(S.L.)

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