NOVO CICLO - 1º de janeiro: dia mundial da esperança
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de janeiro de 2012
Carolina Avansini <br>Reportagem Local
Oferendas na praia, rituais xamânicos, banhos, descarregos, orações, pedidos aos anjos ou a simples manifestação do desejo de tempos melhores. Independentemente da religião, o dia 1º de janeiro é marcado por rituais que possuem, em comum, o forte sentimento de esperança que acompanha o nascimento de um novo ano.
Em Londrina não é diferente. Muita gente adota simpatias, preces e rituais para abrir caminho às boas vibrações. Pessoas como a fisioterapeuta Rosália, que faz questão de passar o Ano Novo no mar para agradecer à Iemanjá, ou o terapeuta Paulo, que busca nos ensinamentos ancestrais dos xamãs indígenas a energia para começar bem o novo ciclo.
No Brasil, a diversidade de costumes adotados na virada do ano relaciona-se à variedade de povos e religiões que fazem parte da nossa cultura. Segundo a antropóloga Elena Andrei, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pesquisadora na área de cultura afro, boa parte dos portugueses colonizadores, por exemplo, eram cristãos novos convertidos do judaísmo e que vieram para a América fugindo das fogueiras da Inquisição. Outros portugueses vieram do Norte de Portugal e sofreram forte influência da cultura celta. ''Some-se a isso elementos das culturas africanas e indígenas e temos uma diversidade de tradições e simpatias.''
A origem dos rituais de Ano Novo também relaciona-se à observação, no curso da História, dos ciclos de vida marcados pelo clima, pela mudança das estações e visíveis no comportamento das plantas e dos animais. Além disso, conforme explica a antropóloga, nas diferentes culturas da humanidade há em comum o conhecimento de duas realidades: o nascimento e a morte.
''As grandes angústias do ser humano relacionam-se com esses portais, já que não sabemos o que acontece quando os cruzamos'', ressalta, acrescentando que, por isso, ''criamos mecanismos psicológicos e simbólicos para nos protegermos no momento de ultrapassá-los''.
As simpatias e superstições seriam fragmentos de pensamentos que já foram complexos e relacionam-se à maneira de cruzar esses portais. ''Muitas religiões se perderam enquanto instituições teológicas, e o que sobrou foram os rituais'', esclarece.
Mas, independentemente da origem, essas iniciativas funcionam? De acordo com Elena, as simpatias são como uma programação do insconsciente e, por isso, costumam ser eficazes. O Ano Novo, da maneira como comemoramos, simboliza o renascimento de um período que chega permeado pela esperança. ''É um momento para celebrar com as pessoas que gostamos e, assim, reatar os laços com a humanidade. Diante da solidão das passagens cósmicas, nos apegamos uns aos outros.''
Entre costumes tão diversos, a reportagem da FOLHA também recarregou as energias para produzir um jornal cada vez mais interessante e informativo. A todos os leitores, desejamos um FELIZ ANO NOVO!