NOVAS IDEIAS - Jovens mudam a cara do empresariado
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sábado, 04 de maio de 2013
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Terminar a faculdade e conseguir um bom emprego, com estabilidade e ótimo salário, parece não fazer mais parte do sonho de boa parte dos jovens brasileiros. Incentivados pela estabilidade econômica, pelo maior acesso às fontes de financiamento e pelo ''jeitinho brasileiro'' de adotar soluções criativas e ultrapassar limites, eles investem em negócios próprios e ajudam a mudar a cara do empresariado nacional.
De acordo com a Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada no ano passado pelo Sebrae, dos 27 milhões de empreendedores brasileiros, 14,4 milhões são jovens e têm de 25 a 44 anos de idade. Outros 3,4 milhões ficam na faixa etária de 18 a 24 anos. Entre os mais velhos, 6 milhões têm de 45 a 54 anos e 3,3 milhões, de 55 a 64 anos de idade. O GEM mostra ainda que o maior número de empreendimentos iniciais está concentrado entre as pessoas que possuem de 25 a 34 anos de idade, enquanto os negócios estabelecidos pertencem a empreendedores que têm de 45 a 54 anos.
''Trinta e três por cento dos empreendedores têm entre 18 e 34 anos'' ressalta Carlos Alberto Ercolin, professor dos programas de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para ele, isso se explica porque, se há algumas décadas os jovens sonhavam com estabilidade, hoje eles são inquietos e, quando começam a trabalhar, já sabem que não permanecerão naquele emprego para sempre. ''Os jovens podem escolher entre ter um emprego ou a própria empresa'', afirma.
Outra característica dos novos empreendedores é que eles agem cada vez mais motivados pelas oportunidades, e não por necessidade de trabalhar e ganhar dinheiro para sustentar a si próprio e a família. Pesquisa realizada por Ercolin detectou que, antes de 2007, 70% dos empreendimentos ocorriam por necessidade. ''Hoje, para cada 100 empreendimentos por necessidade, há mais que o dobro de empreendimentos por oportunidade'', considera.
Mudanças
''O empreendedorismo no Brasil sofreu mudanças ao longo da última década'', acrescenta André Basso, gerente da unidade de atendimento individual do Sebrae/PR, referindo-se ao crescente aumento no número de negócios motivados pelas oportunidades. ''Isso melhora as chances de sucesso. Os empreendimentos gerados por necessidade, ao contrário, já enfrentam restrições desde o nascimento, porque não há tempo para planejar e o nível de inovação é menor'', explica.
A economia favorável cria um fator decisivo para a concretização de empreendimentos. ''As pessoas tomam coragem de empreender, porque a sensação de risco diminui'', acredita o gerente. Ele destaca que os brasileiros são versáteis, capazes de se ajustar a diferentes realidades e com grande capacidade de superar obstáculos.
''Jeitinho brasileiro''
Português vivendo no Brasil desde os 14 anos, Luis Miguel Luzio dos Santos, economista, professor do departamento de administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e com doutorado na área de Ciêncas Sociais, tem uma visão ''de fora'' da cultura brasileira e confirma a percepção de Basso. ''Os brasileiros são extremamente criativos. Têm capacidade de fazer misturas e produzir coisas novas e interessantes'', avalia.
Outra vantagem que ele destaca no ''jeitinho brasileiro'' é o potencial para ultrapassar limites. ''Além disso, têm capacidade de se comunicar e exteriorizar ideias, que são características bem naturais do Brasil'', defende.
Santos cita ainda que, como o Brasil enfrentou vários momentos econômicos conturbados, os empreendedores têm menos medo de se arriscar. Em épocas amenas, essa capacidade se converte em grande vantagem, mas é também uma característica traiçoeira, visto que pode gerar comportamentos impulsivos. ''É preciso empreender baseado em pesquisas, e não só pela intuição'', reforça.
Basso afirma que, por outro lado, os empreendedores brasileiros não são inovadores e planejam pouco. ''Valorizam a execução dos projetos, mas tendem a achar que o planejamento é perda de tempo. Falta paciência'', diz.
Para os especialistas ouvidos pela reportagem, antes de iniciar um novo empreendimento, a dica é buscar informações concretas, como dados e estatísticas, para identifcar tendências e confirmar intuição de que se trata de um bom negócio.


