Josoé de CarvalhoWey: ‘É o momento das
cores vivas e
saturadas que indicam
coragem e ousadia’O sucesso ou o fracasso de determinados produtos lançados no mercado mundial estão relacionados à problemática da cor. Partindo desse conceito, o Comitê Brasileiro de Cores, com sede em São Paulo, lança a cada dois anos uma cartela de cores que é definida após uma pesquisa criteriosa que envolve empresas do ramo e vários segmentos da sociedade. A arquiteta e presidente do Comitê, Elisabeth Wey, que esteve em Londrina para dar uma palestra a profissionais e empresários da área de decoração e da construção civil, falou das cores que vão predominar em residências, prédios comerciais, móveis e objetos de decoração neste final de milênio.
‘‘Para isso, é necessário levar em consideração a diversidade sócio-cultural brasileira que envolve gostos, costumes e crenças. ‘‘Uma cor que faz sucesso no Sul, por exemplo, pode ser um fracasso no Nordeste. Uma importante fonte de pesquisa são as cores dos automóveis. O carro é o produto mais visível aos olhos do consumidor porque está nas ruas. As cores da indústria automobilística influênciam muito na tonalidade das roupas e dos objetos decorativos’’, informa a arquiteta.
Ao lançar a cartela de cores para 97/98, o Comitê levou em conta os dois grupos de pessoas que habitam o planeta atualmente: os tradicionais, que são aqueles apegados à terra e aos tons neutros e sóbrios que lembram a palha, o sisal, a madeira, como também os vanguardistas que estão muito ligados no futuro e com os olhos voltados para o espaço. Esse grupo gosta muito de estruturas metálicas, efeitos de luz e vidros translúcidos, algo que lembra dualidade e ambiguidade. ‘‘Neste final de século, a casa se tornará um refúgio cada vez mais procurado. Portanto, ela precisa ser um ambiente onde os proprietários se sintam bem, e as cores têm papel fundamental nesse bem-estar’’, observa Elisabeth Wey.
DivulgaçãoTendênciaTons fortes também vão predominar nos ambientes profissionais
Luz e sombra A tendência batizada de Raízes, representa o elo entre o homem e a terra, no qual predominam as cores pêssego, telha, coral, limone, rubi e caramelo, que lembram os aspectos naturais da vida e que agradam em cheio às pessoas mais tradicionais. ‘‘Em contrapartida, existe uma outra linha que se inspira no Mapa-Múndi e decreta o fim dos limites pré-estabelecidos da neutralidade. Sugere um estilo de vanguarda cheio de energia e dinamismo, caracterizando ambientes arejados, luminosos e descontraídos. ‘‘O contraste entre tons vivos, neutros e quentes, possibilita o equilíbrio tão necessário neste final de século. Nessa linha predomina as cores azul, gema, cromo, navy, esmeralda, amarelo e galego’’, informa a arquiteta.
No entanto, Elisabeth Wey ressalta que a tendência mais contemporânea é aquela que remete às geleiras, a água em estado sólido, no encontro entre luz e sombra, calor e frio. ‘‘A cor gira em torno dos efeitos da luz solar, refletindo todas as tonalidades do gelo. Nessa linha, que o Comitê batizou de Ártico, as cores predominantes serão anil, pelle, strato, alumínio, opalina e lilás’’, acrescenta Elisabeth Wey, ressaltando que as cores dos planetas e dos satélites vão predominar nesta virada de milênio.
Fator psicológico Porém, antes do consumidor decidir por algumas dessas tendências, é preciso avaliar o perfil psicológico de quem vai ocupar cada ambiente. ‘‘A cor influencia muito no comportamento da pessoa. Por isso, deve ser oposta à sua personalidade. Se o casal tem um filho agitado e hiperativo, o quarto dele deve ser decorado com cores leves, privilegiando os tons em azul, anil, pêssego e opalina. Se a criança for calma, o ideal é jogar cores mais fortes como vermelho, telha e coral’’, recomenda a arquiteta.
Mas como decidir a cor do quarto do casal quando marido e mulher têm personalidades diferentes? ‘‘Nesse caso, o melhor é buscar o equilíbrio e optar por tons em amarelo, que simboliza a natureza cósmica, jogando nos objetos cores fortes e fracas. Já no living, é aconselhável usar nata, branco e amarelo porque proporcionam harmonia em um espaço, geralmente, frequentado pela família e amigos’’, sugere Elisabeth Wey. A arquiteta recomenda também evitar decorar o quarto do bebê todo em azul ou em rosa, dependendo do sexo. ‘‘O ideal é optar por um ambiente mais colorido, para que a criança cresça conhecendo as várias tonalidades de cores’’, orienta.

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